A Coteminas pretende demitir mais da metade dos funcionários da fábrica de Blumenau. A informação consta em um ofício encaminhado pela direção da unidade local ao Sintrafite, sindicato que representa a categoria têxtil, na última sexta-feira (30).
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O documento, ao qual a coluna teve acesso, cita que a Coteminas tem “a necessidade de realizar desligamentos de funcionários no mês de julho, para podermos manter a continuidade da operação”.
Segundo o ofício, a lista contemplaria 841 colaboradores. A fábrica de Blumenau emprega pouco mais de 1,2 mil pessoas. Ainda não se sabe quais funcionários serão afetados.
A companhia também fez uma proposta para parcelar as rescisões em até 15 vezes, dependendo da situação de cada trabalhador. As indenizações devem somar R$ 35 milhões.
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“Desta forma, a empresa conseguirá honrar os compromissos e efetuará a quitação total de todas as verbas rescisórias para todos os trabalhadores, sem prejuízo dos valores a receber. Esta é a única forma de conseguir efetuar todas as indenizações sem causar nenhum dano aos trabalhadores”, cita o ofício.
No documento, a Coteminas esclarece ainda que os funcionários desligados, se tiverem interesse, terão a oportunidade de participarem de cooperativas com apoio da empresa.
Funcionários se reúnem neste momento em frente à portaria da fábrica, no bairro Garcia, para tratar da situação.

Sintrafite cita “surpresa”
O Sintrafite admite que já esperava uma readequação do quadro de funcionários em Blumenau, mas o número sinalizado pegou a entidade de surpresa. Conversas iniciais com a direção da empresa indicavam um corte de 300 funcionários.
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A Coteminas já havia informado que estava passando por uma reestruturação da operação industrial. Ao prefeito Mario Hildebrandt, o presidente da empresa, Josué Alencar, garantiu que a fábrica de Blumenau não seria fechada.
Mas não negou que haveria demissões.
Crise na Coteminas e salários atrasados
Em abril deste ano, pela segunda vez em 2023, a Coteminas atrasou os salários dos trabalhadores. O sindicato afirma também problemas no pagamento do FGTS. Os funcionários chegaram a fazer manifestações na porta da fábrica pedindo pelos vencimentos que demoraram dias até serem honrados.
Em uma publicação feita meses atrás, a coluna explica por que a gigante têxtil teve tanta dificuldade em pagar em dia. A explicação, conforme a companhia, teria como pano de fundo o cenário econômico, inflação e baixo consumo das famílias.
As informações que circulam nos bastidores é de que a decisão sobre as demissões veio da direção da companhia em São Paulo. A Coteminas ainda não se pronunciou oficialmente sobre o assunto.
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E a Shein?
Em abril, a Coteminas anunciou uma parceria com a Shein. Na época, a gigante asiática recém-havia divulgado planos de investir R$ 750 milhões no Brasil nos próximos três anos para viabilizar a produção nacional de roupas vendidas por meio de sua plataforma eletrônica, com geração de cerca de 100 mil empregos.
Leia também: A alternativa para a fábrica da Coteminas em Blumenau nas conversas com a Shein
O acordo firmado envolveria, conforme comunicado divulgado ao mercado, um esforço conjunto para que 2 mil clientes de confecção da Coteminas passassem a ser fornecedores da Shein.
Desde então, prefeitura de Blumenau e governo de Santa Catarina tem se articulado para tentar atrair investimentos para o Estado. Em uma reunião no fim de maio, a Secretaria da Fazenda chegou a pedir mais informações sobre o plano de negócios para avaliar a concessão de incentivos fiscais.
Já neste mês de junho, foi noticiado que a Shein assinou, com o governo catarinense, um documento de confidencialidade para seguir estudando a viabilidade de promover investimentos no Estado.
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