Compreender o conceito de terroir não é simples, mas vamos tentar simplificar, porque, no mundo do vinho, é o conceito mais importante para entender os estilos e as características principais dos vinhos. Pois é o que torna cada vinhedo único, definindo o estilo e a qualidade dos vinhos produzidos naquele local. Como psicóloga, além de sommelière, gosto muito de fazer comparações entre nós, seres humanos, e os vinhos, porque facilita a compreensão de conceitos mais complexos.

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Neste sentido, o terroir corresponderia à nossa certidão de nascimento, que define muito de nós, como, por exemplo, onde nascemos, quem são nossos pais, qual cidade, região, país. Além de muitas outras características que herdamos de nossos antepassados. Isto é, já chegamos com uma história que começou antes mesmo de nascermos. A similaridade com os vinhos segue a mesma premissa. Os vinhos “nascidos” em um país, região e cidade herdarão todas as características dos terroirs e das cepas (mudas de vitis viniferas) de onde vieram, herdando a cadeia de DNA das castas que a antecederam, juntamente com toda a história que já vem antes dela.

Néa Silveira, sommelière

Mas, afinal, o que é terroir? Segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), sediada na França, “é o conceito que remete a um espaço no qual está se desenvolvendo um conhecimento coletivo das interações entre o ambiente físico e biológico e as práticas enológicas aplicadas, proporcionando características distintas aos produtos originários deste espaço”.

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Fatores como características geográficas, geológicas, climáticas e humanas são responsáveis por moldar o estilo e a qualidade dos vinhos produzidos em determinada região.

Néa Silveira, sommelière

Principais pilares que caracterizam os diferentes terroirs:

  • Solo: Dos elementos que compõem o terroir, o solo é dos mais importantes. Sua composição, drenagem e profundidade influenciam no crescimento das videiras e na qualidade das uvas. Sua composição transfere para os vinhos características únicas daquele local, além de levarem nutrientes e água às uvas.
  • Clima: É outro fator determinante. A temperatura, quantidade de sol e amplitude térmica (diferença entre as temperaturas do dia e da noite) influenciam diretamente na maturação, acidez, açúcar e aromas das uvas. Regiões de clima temperado geralmente apresentam melhores resultados.
  • Altitude: Tem interferência direta no tempo do ciclo de maturação das uvas e suas características. Locais mais altos normalmente são mais frios, o que favorece uma maturação mais lenta, resultando em vinhos com mais vivacidade, mais frescos e com acidez presente. Enquanto que regiões mais quentes tendem a produzir vinhos com maior teor alcoólico e mais encorpados.
  • Chuva: A frequência e o nível pluviométrico contribuem para a qualidade das frutas, interferindo principalmente no nível de açúcar e concentração do mosto. Caso chova além do desejado, pode comprometer sua complexidade, antecipar o período da colheita, perdendo concentração e equilíbrio, influenciando na qualidade do vinho.
  • Relevo: Os declives contribuem para a drenagem natural, além de favorecer também melhor incidência solar nas videiras, contribuindo para uma melhor maturação das uvas, além de contribuir para sua sanidade.

Por tudo isto, é fundamental para os produtores que desejam elaborar vinhos de qualidade, com características únicas, que são o DNA autêntico do terroir onde são cultivadas, entregando seu melhor estilo, sua história, identidade e a alma do terroir onde nasceu!

Saúde!

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