Esta polêmica é antiga e sem fim. Mas a verdade é que esta frase é uma meia verdade. Nosso gosto pessoal é o gerador de muitas escolhas em nossa vida: como nos vestimos, os lugares que frequentamos, as comidas que comemos e até os amigos que temos. Todas estas escolhas são resultado de afinidades, preferências e, muitas vezes, também definidas por nossa condição financeira em adquirir produtos, serviços e bens. Portanto, o que você gosta é bom pra você, mas pode não ser para o outro. Esta afirmação — “o melhor vinho é aquele que eu gosto” — é um desserviço no universo do vinho. Eu, pessoalmente, considero este um jargão do especialista envergonhado ou do marqueteiro atrás de resultado, sem se importar em orientar o consumidor em uma escolha acertada que valha a pena e que trará uma experiência agradável ao apreciador de vinho.
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Nestes tempos de populismo digital, de negação da cultura, desprezo do conhecimento, criar verdades paralelas em argumentos não reais é o discurso ideal. O grande e maior problema é que se desdenha toda uma cadeia de profissionais que, com muito estudo e dedicação, buscam excelência em seus vinhedos com muito trabalho e pesquisa, aprimoramento da tecnologia em favor de melhores resultados e cuidado extremo nas vinícolas para criar um ótimo produto. Ao mesmo tempo, despreza-se anos de estudo e prática dos profissionais que dedicam sua vida em conhecer e avaliar vinhos com profissionalismo e respeito ao consumidor, conduzindo sempre com ética, baseados em critérios técnicos e não em achismos nas avaliações de vinhos das quais participam.
Vamos combinar que “vinho bom é aquele que tem qualidade”! O consumidor pode ou não gostar dele, mas aí é outra coisa, que envolve gosto pessoal, conhecimento, experiência, paladar e litragem.
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A qualidade de um vinho pode, SIM, ser atestada e aferida com critérios técnicos que, em geral, são feitos através de degustação às cegas (sem identificação) do vinho por especialistas da área. Vinho bom é uma coisa; aquele que você gosta pode ser bom ou não, como tudo na vida. Outra coisa: existem vinhos excelentes, ótimos, bons e ruins no mundo todo, inclusive em países que são referência, como França, Itália, Portugal, Espanha e muitos outros. Portanto, o país de origem por si só não garante a qualidade do vinho. Aqui estamos falando do universo dos vinhos e de cada um de nós que somos únicos, portanto com percepções, memórias, culturas, experiências e vivências diferentes. Isto nos torna um universo, assim como os vinhos, que também possuem suas cores, aromas, sabores e características diversas. E, exatamente por isto, somos nós e os vinhos tão encantadores na nossa unidade.
Não existe um único vinho que gostamos, mas ESTILOS de vinhos que irão agradar nosso paladar. Da mesma forma, não existe um padrão universal de vinhos, mas, ao contrário disso, eles devem manter sua origem, história, características do TERROIR onde nasceram, preservando sua IDENTIDADE. É exatamente aí que reside sua beleza e o fascínio que exerce sobre nós, apreciadores de belos exemplares ricos na sua diversidade!
Saúde!