No artigo de 08.11, falamos das rolhas de cortiça, principal vedante de garrafas de vinhos. Porém, faltou uma observação muito importante para não ser injusta, atribuindo somente às rolhas de cortiça o problema do TCA, contaminação que inviabiliza o consumo do vinho contaminado pelo fungo TCA. Esta contaminação pode eventualmente ter sua origem em outras fontes, como barricas de carvalho usadas na fermentação ou para amadurecer os vinhos, ou outros focos de contaminação nas vinícolas. Felizmente, com a tecnologia e os cuidados cada vez maiores, estes defeitos estão cada vez mais raros.
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Porém, a indústria do vinho necessita buscar outras formas também eficientes para fechamento, além das rolhas de cortiça. Primeiro, por ser um material natural, que depende dos ciclos da natureza e tem produção limitada, não acompanhando o aumento da produção mundial de vinhos, e tornando-se dispendioso para o produtor.
Além da rolha de cortiça, existem vários outros tipos de vedantes utilizados em garrafas de vinhos. Precisamos ter em mente que o objetivo principal desse acessório é fechar a garrafa da forma mais eficiente possível, evitando vazamentos e interferências nas características do líquido, que ele deve acima de tudo proteger, mas nunca esquecendo que o tipo de fechamento faz parte da “embalagem do vinho”, que cria uma expectativa que está relacionada ao “estilo do vinho”.
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Rolhas sintéticas são feitas de polímeros (como o plástico) e são uma opção mais barata às rolhas de cortiça. São usadas em vinhos mais simples, de entrada para consumo rápido, que não se beneficiam com a micro-oxigenação, portanto, não são adequadas aos vinhos de guarda. Suas desvantagens estão na dificuldade de abrir a garrafa, pois o plástico, sendo um material mais denso, pode ocorrer quebras. Além da dificuldade de vedar a garrafa, caso não seja toda consumida. Outra desvantagem é o descarte, mais plástico sendo descartado na natureza.
T-Cork, usadas em vinhos fortificados, como porto e madeira, são elaboradas com cortiça de alta qualidade, que é inserida em uma cabeça, que pode ser de madeira, plástico ou personalizada. Este modelo dispensa o uso de saca-rolhas, pois é retirada manualmente.
Rolhas de vidro ou Vino-lok são eficientes na vedação, higiênicas, práticas, dispensando o uso de saca-rolhas, pois é retirada manualmente, além de serem uma alternativa sustentável e charmosa. Possuem zero risco de contaminação por fungos e podem ser colocadas no gargalo com facilidade, possibilitando a reutilização da garrafa. Única desvantagem: ainda possuem um custo mais alto que os outros vedantes, aumentando o valor agregado do vinho.
Tampas de rosca ou Screw Cap são vedantes que fecham a garrafa ao serem rosqueados em seu gargalo, não necessitando o uso de saca-rolhas. Cada vez mais presentes em garrafas de vinhos, são sustentáveis, práticas, de fácil manuseio, além de eficazes, vedando muito bem o vinho. Sendo de baixo custo, refletem no valor do vinho e, sendo recicláveis, protegem a natureza. Apesar de muita gente ainda torcer o nariz para este tipo de rolha, a tampa de rosca vem crescendo no mercado pela eficácia na vedação e praticidade, além de não ter nenhuma relação com a qualidade dos vinhos.
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A conclusão é que existem rolhas mais adequadas para determinados tipos de vinhos, possuindo diferentes especificidades e características. Sua função é vedar o vinho de forma eficiente, impedindo a oxidação e conservando suas propriedades e características originais. Portanto, não deixe de degustar um vinho por conta do vedante. Privilegiar a compra de um vinho com base isolada na forma de fechamento é mais uma escolha estética, ligada à preferência, do que técnica e de qualidade.
Saúde!
Néa Silveira
@neasommeliere