A rolha só surgiu quando o vinho passou a ser armazenado em garrafas de vidro padronizadas. Antes disso, eram armazenados em barris ou ânforas. Isto ocorreu a partir do século XVII, quando o formato da garrafa de vinho que conhecemos nos dias atuais se estabeleceu definitivamente.
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A rolha de cortiça ainda é a forma de vedar garrafas de vinho mais popular, conhecida e utilizada. O sobreiro, da família dos carvalhos, de onde é retirada a casca para fabricação das rolhas, tem produção limitada e controlada. A casca só pode ser retirada a cada nove anos e fornece em torno de 12 extrações da cortiça ao longo de sua vida, que gira em torno de 150 anos. O primeiro descortiçamento somente pode ser feito quando o sobreiro alcançar 25 anos de vida.
A rolha possui motivos para ser o fechamento mais utilizado e preferido dos produtores. Além de ser um material maleável, elástico e expansível, ainda permite a micro-oxigenação do vinho, possibilitando que ele continue o processo de envelhecimento, evoluindo na garrafa. Apesar de ser um recurso limitado, é um símbolo de tradição, sendo considerada por muitos especialistas o melhor fechamento, principalmente para vinhos de guarda.
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As principais qualidades e propriedades das rolhas de cortiça são: impermeabilidade, elasticidade, resistência, compressibilidade, leveza, isolamento térmico, inércia ao vinho, inodora, imputrescível, não sofre variações de temperatura, reciclável e reutilizável… Ufa, quanta coisa!
Porém, com tantas qualidades, certamente temos alguns problemas. A rolha pode ser contaminada pelo fungo Armillaria mellea ou TCA, que dará o famoso e temido defeito “Bouchonée” no vinho, caracterizado por aromas e sabores desagradáveis, semelhantes a mofo, papelão úmido ou pano molhado, descaracterizando totalmente o vinho, que desenvolverá gosto avinagrado, perdendo todas as suas qualidades e, portanto, inviabilizando o consumo. Este defeito permite a devolução da garrafa ao local de compra para que seja feita a troca. Estima-se que em torno de 3 a 5% da produção mundial de rolhas tenha este defeito. Para garantir rolhas de qualidade, sem defeitos, as empresas de tecnologia têm investido pesado em processos que controlem a presença do TCA (Tricloroanisol).
Por ordem de qualidade, temos: as rolhas de cortiça maciça, mais caras e mais eficientes, cortadas por inteiro; cortiça colmatada, também cortadas por inteiro, porém possuem imperfeições que são preenchidas com pó de cortiça aglomerada; cortiça aglomerada, feita com pequenos pedaços de cortiça natural, que são moldados com cola para alimentos; aglomeradas com discos de cortiça maciça, o meio da rolha é composto por cortiça aglomerada e as extremidades possuem discos de cortiça maciça. Já as rolhas dos espumantes são constituídas de um cabo e de rodelas. O cabo é um cilindro de cortiça aglomerada (composta por grânulos da mais alta qualidade) sobre os quais são coladas duas rodelas de cortiça maciça que ficarão em contato com o líquido. Originalmente em formato cilíndrico, somente após ser colocada parcialmente no gargalo da garrafa, onde é retida pela gaiola (arame que segura a rolha dos espumantes), é que ela tomará sua forma bem conhecida de “cogumelo”.
E aí, gostou desse conteúdo um pouco mais técnico, que traz uma pequena amostra da dimensão do mundo dos vinhos? São muitos os processos, macros e minuciosos, todos feitos com muito cuidado e tecnologia, por profissionais qualificados, para chegar às taças com muita qualidade!
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Na próxima coluna, falaremos dos outros tipos de vedantes de garrafas de vinhos.
Saúde!
Néa Silveira
@neasommeliere