Mais uma vez, estivemos presentes na Pro Wine SP 2024, a maior feira de vinhos para profissionais. Este ano, os destilados foram incluídos, deixando o portfólio ainda mais completo. Foram três dias mega intensos de degustações, descobertas e muitos rótulos novos que estão chegando por aqui. Produtores e importadores reconhecem no Brasil um mercado muito promissor no consumo de vinhos e destilados. Este ano, o evento foi ainda maior que no ano passado, com mais de 15 mil visitantes e 1.402 marcas de 34 países. A Pro Wine se consolidou como a maior das Américas.
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Um fato que me chamou a atenção na feira foi o aumento do espaço ocupado pelos vinhos brancos e rosés, o que aponta para o crescimento do consumo desses rótulos. Isso demonstra que, com o hábito de consumir vinhos, os bebedores amadurecem para outros estilos, ampliando seu paladar.
Países como Japão, Coreia do Sul e Geórgia participaram pela primeira vez. A marca de luxo Moët Hennessy também fez seu debut na feira, com seus principais rótulos de champanhes, vinhos e destilados. A Pro Wine foi palco de muitos lançamentos, que aproveitaram os olhares voltados para este evento, referência no mundo do vinho. Pela primeira vez, o famoso vinho Pera Manca fez seu lançamento mundial de uma safra no Brasil, que é um dos seus maiores mercados consumidores. O evento consolidou o Brasil como produtor de grandes vinhos e, além do aumento no espaço físico, trouxe vinhos de terroirs surpreendentes e improváveis, que comprovaram, na taça, a qualidade de seus produtos, como os do Vale do São Francisco e da Chapada Diamantina.

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Com 8.510 mil km², o Brasil é considerado o país com a maior biodiversidade do mundo. Os biomas são grandes unidades geográficas e biológicas, com características muito diversas umas das outras. Possuímos seis biomas: Amazônia, Cerrado, Caatinga, Pantanal, Pampa e Mata Atlântica, além de um bioma marinho.
Toda essa grande diversidade se reflete diretamente na produção de vinhos, pois cada bioma possui características diversas, levando essas diferenças para a garrafa e, consequentemente, para as nossas taças! Fatores como vegetação, fauna, temperatura, intensidade e incidência da luz solar, quantidade de chuvas e tipo de solo irão influenciar diretamente o estilo de vinho que cada uma dessas regiões produz. Com isso, todos ganhamos, pois o resultado será uma grande diversidade de estilos, castas e processos produtivos. Nossas zonas de produção de vinhos são diferentes de todo o resto do mundo; temos condições climáticas únicas, não apenas no diferenciado Nordeste, mas também nas áreas produtivas mais antigas e bem estudadas, como as do Rio Grande do Sul.

No Brasil, não temos o clima mediterrâneo europeu, nem a aridez quase desértica da Argentina e de algumas áreas do Chile. Por aqui, temos clima úmido e semiúmido que, por um lado, prejudica algumas variedades de uvas, que podem perder concentração e teor alcoólico, além de favorecer doenças fúngicas na videira. Por outro lado, favorece castas e vinhos mais frescos, aromáticos e elegantes, que estão se consolidando como o estilo brasileiro de vinhos, aliás, em linha com a tendência do mercado atual.
Um exemplo prático da diversidade brasileira é a Miolo Wine Group, que produz vinhos em quatro biomas brasileiros, levando para nossa taça as características de cada uma dessas regiões vitivinícolas: Vale dos Vinhedos/RS, Campanha Meridional/RS, Campanha Central/RS e Vale do São Francisco/BA, brindando-nos, literalmente, com os terroirs brasileiros na taça!
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É inegável o crescimento dinâmico da qualidade e diversidade dos terroirs brasileiros. Finalmente, estamos no bloco dos grandes países produtores de vinho do mundo! Saúde!