O uso de barricas de carvalho para guarda e conservação dos vinhos é muito antigo, remontando ao período do Império Romano, quando eram utilizados recipientes de madeira para armazenar e transportar este líquido tão precioso, que merecia todo cuidado.

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O carvalho não é a única madeira utilizada para armazenar vinhos, mas há séculos vem sendo a mais popular porque é impermeável e fácil de trabalhar. Porém, suas qualidades mais apreciadas, já na era moderna, estão relacionadas aos sabores e aromas nobres que aporta aos vinhos que nele estagiam. O carvalho tem uma afinidade natural com os vinhos, adicionando-lhes compostos mais complexos, textura e mais amplitude aromática e gustativa, elevando o nível do vinho a um patamar acima, dando estabilidade, equilíbrio e conferindo estilo e personalidade ao vinho. Isto acontece porque o carvalho tem a capacidade de modificar o perfil do vinho, agregando um perfil à bebida que vai além das características naturais da uva fermentada.

Nea Silveira (Foto: Divulgação)

Durante o estágio nas barricas de carvalho, ocorre uma interação entre o vinho e a madeira, e substâncias como os taninos, ligninas e outros compostos presentes na madeira são transferidos para a bebida. Estes compostos contribuem para dar estrutura, complexidade e corpo ao vinho, também agregando aromas e sabores como baunilha, tostado, coco, frutas, pão tostado, especiarias como cravo, além de nuances de fumaça. Este processo ocorre por conta da porosidade da madeira, que permite uma micro-oxigenação, que propicia estas alterações físicas e químicas.

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Existem vários tipos de carvalho próprios para a produção dos vinhos, mas certamente o francês é o mais famoso, seguido pelo americano.

O carvalho francês, mais prestigiado em todo o mundo, destaca-se pela sofisticação que imprime aos vinhos que nele estagiam. Sendo menos permeável, contribui para uma menor evaporação e oxigenação dos vinhos, resultando em uma evolução e envelhecimento mais lentos e suaves. Sendo abundantes em compostos aromáticos, imprimem nos vinhos notas mais delicadas de baunilha e especiarias, onde a canela e o cravo estão presentes, e adquirem um perfil gustativo elegante e complexo. As árvores só são consideradas aptas à fabricação de barricas quando atingem 150 anos. Podemos dar como exemplo os grandes vinhos da Borgonha, elaborados com a casta Pinot Noir, que são grandes representantes desse estilo.

Nea Silveira (Foto: Divulgação)

O carvalho americano é outro tipo de madeira muito utilizado na produção de vinhos. Considerada a idade de 60 anos ideal para o corte e fabricação das barricas, este tipo possui mais taninos e é mais intenso em óleos essenciais que o francês. O americano é característico por sua dureza e sua porosidade, o que facilita a extração dos sabores e taninos da madeira, acelerando o processo de evolução e contribuindo para sabores mais intensos e tostados durante o processo de envelhecimento do vinho. Seus vinhos tendem a adquirir frequentemente notas mais intensas de baunilha, coco, caramelo, tabaco, café e cacau, possuindo um perfil aromático e gustativo mais robusto e pronunciado.

E você? Prefere vinhos que estagiam em madeira ou prefere vinhos sem passagem em barricas, que preservam as características das castas das quais foram produzidas?

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