O amor da humanidade pela bebida produzida no processo de fermentação da uva não é nada recente. Na verdade, é tão antiga quanto o aparecimento do homem na Terra. Com registros já na Antiguidade Clássica e até no Velho Testamento, nas uvas cultivadas por Noé, podemos dizer que o vinho coincide com nossa civilização. O fato é que uvas e homens coexistem no planeta há milhares de anos, mas o mais provável é que tenha sido a partir de 6.000 a.C. que os primeiros vinhos do mundo tenham sido produzidos, visto que foi nesta época que saímos do nomadismo para nos dedicar ao cultivo e domesticação dos animais.
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Já no Egito Antigo, o vinho tinha um papel importante na religião e na vida cotidiana, pois acreditavam que tinha propriedades divinas, sendo utilizado em cerimônias religiosas como oferenda aos deuses, e também muito apreciado pelos faraós. Hieróglifos da era pré-dinástica dos faraós mostram como a bebida era preparada na época, com todos os processos minimamente detalhados, extremamente trabalhosos e cuidadosos, com detalhes que impressionam pelas minúcias. O consumo do vinho no Antigo Egito era reservado quase exclusivamente aos faraós e suas famílias, além de guardarem algumas garrafas em seus sarcófagos para continuar brindando na outra vida.
Na Grécia Antiga, o vinho estava muito associado aos pensadores. Os gregos acreditavam que Dionísio, o deus das festas e da loucura, foi o inventor do vinho. De fato, com ou sem a ajuda dos deuses, as vinícolas logo tomaram conta da Grécia, e o povo helênico se aperfeiçoou tanto na produção do vinho que, até hoje, muitas variedades de uvas cultivadas no mundo vieram, originalmente, de mudas trazidas de lá.
Os romanos, a princípio, não se interessaram muito quando o vinho chegou da Grécia no ano 1.000 a.C. Sua bebida era a cerveja. Somente no ano I a.C., o vinho começou a fazer sucesso na Itália. Com o desenvolvimento da agricultura, os romanos começaram a se tornar verdadeiros experts no cultivo das uvas e na produção de vinho. Eles foram responsáveis por catalogar e classificar diversos tipos de uvas viníferas e inventaram o barril de madeira usado para dar sabor ao vinho no amadurecimento.
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Com a queda do Império Romano, a França surgiu e se desenvolveu como grande produtora de vinho de qualidade, como se mantém até hoje. Tudo começou com Carlos Magno, que, expandindo o Reino Franco, promoveu várias leis agrárias e normas para regular a produção de vinhos na região. No Brasil, as primeiras videiras chegaram em 1532, trazidas pelo colonizador português Martin Afonso de Souza. O primeiro viticultor foi Brás Cubas, fundador da cidade de Santos, que plantou o primeiro vinhedo nas encostas da Serra do Mar, no litoral paulista. A partir daí, a história do vinho no Brasil é linda, longa, cheia de dificuldades e sucessos. Atualmente, existem no Brasil entre 1.000 e 1.100 vinícolas.
Estas histórias incríveis e a disseminação do vinho pelo mundo o tornaram a bebida mais venerada e respeitada no mundo. E, claro, é obrigatória sua presença em todos os momentos de celebração, seja no cotidiano para tornar nossos dias mais felizes, seja em datas especiais, como as que estão se aproximando, como Natal e Réveillon.
Natal e Vinho: Combinação Perfeita! Já planeje sua ceia de Natal e harmonize com os vinhos adequados aos pratos que serão servidos. Inicie com um belo espumante, que pode acompanhar as entradas. Na sequência, um branco com boa acidez, que vai fazer par perfeito com pratos de frutos do mar e o famoso Peru de Natal. Caso no cardápio incluam carnes vermelhas, acompanhe com um tinto leve ou de médio corpo, pois o calor pede um vinho menos encorpado.
Réveillon e borbulhas: Par Perfeito! Quando pensamos em festa de Réveillon, com certeza a primeira imagem que vem à mente é a de uma garrafa de espumante sendo estourada (o que não devemos fazer, porque perde todo o perlage). Porém, neste momento, o mais importante é deixar a emoção tomar conta, as taças serem servidas, os brindes seguidos de abraços cheios de esperança de um ano novo repleto de alegrias, otimismo de tempos melhores, com mais humanidade e empatia. E, sobretudo, ter gratidão pela vida, família e amigos. Saúde!
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Néa Silveira
@neasommeliere