Não há como escapar dessa análise. O Figueirense, que chega a última rodada da fase de classificação da Série C sem depender somente dos seus resultados, tem o resultado exatamente do tamanho da ambição da diretoria durante a temporada.
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E são vários pontos que demonstram isso. O primeiro deles, a manutenção da base de time de 2023. Uma equipe que lutou até a última rodada para não levar desastrosamente o Figueirense para a Série D do Brasileiro. Jogadores que não deram certo comprovadamente e com os quais o clube jogou novamente em 2024, insistindo no erro. O time é fraco e frágil. É um grupo que tem medo dos jogos e da própria torcida. Que tem forte déficit de qualidade e não suporta a pressão da cobrança pelos resultados.
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As limitações do técnico João Burse
O segundo erro demorou a aparecer, mas agora está claro: o trabalho do técnico João Burse. No começo da temporada, até mesmo escrevi aqui neste espaço elogios ao trabalho dele. Mas com o passar dos jogos e com o desafio maior, que era a Série C, as fragilidades dele apareceram.
Um técnico de um esquema só, com um time engessado em campo, que demora muito para corrigir problemas do time durante as partidas, que insistiu com Gledson o ano inteiro, tendo JP Iseppe, que ele só foi descobrir na 18ª rodada da competição nacional, e que consegue escalar Ruan Levine e dizer que era justo escolher esse jogador, que não havia mostrado nada durante o ano do Figueirense. Que justiça foi essa?

Depois do empate com o São José, que praticamente elimina o Figueirense da Série C, Burse ainda teve a capacidade de mandar o seguinte recado para o torcedor do Figueirense: “ano passado a luta foi para não cair e esse ano estamos lutando para classificar”. Como se isso fosse um grande mérito. A declaração só demonstra como a mentalidade dele vai ao encontro das poucas ambições do Figueirense atual.
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A passividade com o Transfer Ban
Passar uma Série C inteira com um Transfer Ban e estar conformado ou acomodado com isso, sem poder contratar, seja para reforçar, seja para corrigir erros, seja pra repor perdas de atletas, foi um dos maiores erros da temporada.
Um absurdo com o qual o Figueirense conviveu harmonicamente durante toda a competição e que foi estourar nas rodadas decisivas. Sem Genilson, sem Pato e sem Alisson, o Figueirense ainda tinha um banco reduzido pelas lesões na decisão deste último domingo.
Projeto não tinha ambição real de acesso
Toda a passividade do Figueirense na temporada 2024 sempre teve um recado implícito: prioridade não era o acesso. Sim, se desse, quem sabe, se tudo der certo… O Figueirense trabalhou sempre com essa perspectiva. Não esteve forte na competição.
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Passando longe da grandeza do clube, de sua torcida sempre presente e dos próprios anseios e desejos do seu torcedor. A torcida do Figueirense se mostrou parceira desde a primeira rodada, acreditando e colocando 8 mil no estádio quase de média. Algo que ocorreu novamente nas decisões diante do Londrina e do São José. Mas não teve na direção do Figueirense essa mesma parceria.
Não há nada errado em ajustar as contas e colocar a casa em ordem. Muito pelo contrário. E é um trabalho duro e longo, como já escrevi aqui outras vezes. Há méritos nisso. Mas fazer futebol forte e competitivo sempre vai ser obrigação do Figueirense. E uma coisa não diverge da outra.
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Dava pra fazer muito melhor e trabalhar mais de acordo com aquilo que a torcida esperava e de acordo com a esperança renovada do torcedor com a chegava da nova parceira, a CLAVE. O torcedor não foi enganado, mas tem todo direito de se sentir frustrado, decepcionado e muito irritado com a grande possibilidade de mais uma temporada de Série C em 2025.