Vicente Pedrini é um pomerodense de 31 anos que largou o emprego de gerente de planejamento em uma multinacional, em Buenos Aires, para um semestre sabático com a namorada, Pamela. O plano era viajar pelo Sudeste Asiático fazendo trabalho voluntário em troca de hospedagem. No início de março, partiu para Tailândia e Camboja.
Continua depois da publicidade
Quando a pandemia de Covid-19 começou a fechar fronteiras, teve de mudar a rota. Sem poder entrar no Vietnã, viajou até a Malásia e então instalou-se em Bali, na Indonésia. Lá permanece até hoje.
Pedrini teve a chance de ser repatriado pelo governo brasileiro em abril, mas declinou porque Pamela, que é cidadã argentina, não poderia acompanhá-lo. O custo de um voo equivalia a cinco meses de estada na Indonésia.
> Quer receber notícias de Blumenau e do Vale por WhatsApp? Clique aqui e entre no grupo do Santa
As primeiras semanas foram incertas. Já não havia onde fazer voluntariado e o declínio do turismo gerava temores de tensão social. Porém, com poucas opções de voos, o casal desistiu de deixar o país. E a viagem lazer virou trabalho.
Continua depois da publicidade
Trabalho online
Pedrini inscreveu-se em plataformas de emprego online e hoje trabalha mais de 40 horas por semana a distância, de dentro da pousada, com diferentes projetos. Atende uma empresa de Portugal e outra da Suécia.
Em agosto, o visto de permanência na Indonésia terminará. Se o novo coronavírus permitir, a ideia é voar até a Turquia e permanecer por lá mais 90 dias conciliando profissão com viagem. Depois, Pedrini quer voltar à América do Sul para visitar a família, mas não sabe por quanto tempo. Pegou gosto pelo trabalho nômade.
— Acho que é uma tendência que veio para ficar. As pessoas hoje não querem aquela coisa antiga de ficar 10 anos numa mesma empresa — analisa.
Na pandemia que consolidou o home office, Pedrini agora pensa em fazer do mundo um escritório.