O novo presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) da Grande Florianópolis, Carlos Leite, destaca que uma das prioridades da gestão será colaborar para que municípios menores possam ter um melhor planejamento urbano. O Sinduscon da capital tem uma abrangência em 25 municípios da região, que inclui até região da Serra.

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O sindicato também se articula para colaborar na formação de trabalhadores ao setor porque a falta de mão de obra qualificada é um grande desafio. Além disso, vai trabalhar para melhorar a urbanização e o saneamento da região de um modo geral.

Engenheiro civil graduado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), nascido em Florianópolis, o empresário Carlos Berenhauser Leite atuou há 40 anos no Grupo Habitasul, que empreendeu Jurerê Internacional. Ele sucede a Marco Alberton, que liderou o Sinduscon por duas gestões, somando quatro anos. Leite, que tem como vice-presidente a empresária Gabriela Santos, tem acompanhado, nos últimos anos, os movimentos em torno do urbanismo na região ao participar de entidades voluntárias. Hoje é conselheiro empresarial e coordenador do Fortur, o Fórum de Turismo de Florianópolis. Saiba mais na entrevista a seguir:

O que a gestão de vocês vai priorizar à frente do Sinduscon Grande Florianópolis?

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– Nosso plano de trabalho inclui o espraiamento do Sinduscon na sua base territorial, que começa em Laguna e vai até Tijucas. Inclui, por exemplo, municípios como Águas Mornas, Angelina, Anitápolis, Antônio Carlos, Biguaçu, Rancho Queimado, Santo Amaro da Imperatriz e até São Martinho.

Ao longo desses últimos anos, o foco tem sido, primeiramente, Florianópolis, depois São José, Palhoça e Biguaçu, ou seja, onde já existe uma atividade econômica mais consolidada o Sinduscon acaba atuando mais por decurso de prazo, ou decurso de demandas. Isso ao invés de ir à luta e ver quais são as necessidades, ajudar a organizar o desenvolvimento urbano desses municípios menores.

Então, uma das nossas plataformas é visitar esses municípios que fazem parte da nossa base territorial, principalmente os menores, para ver de que maneira podemos contribuir no planejamento urbano deles.

O que o senhor destaca dessas demandas por urbanização?

– Vou dar um exemplo. Na Serra, os municípios de Rancho Queimado, Anitápolis e outros próximos estão tendo um boom imobiliário e praticamente as estruturas municipais não estão preparadas para entender esses novos conceitos de urbanização.

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Então, nós fizemos uma reunião com o superintendente da Caixa Econômica Federal para a instituição ser nossa parceira para levar essa discussão urbanística nesses municípios. Nós vamos usar essa capilaridade da Caixa para trabalhar essa questão.

Da mesma maneira em relação ao Sicredi, que é um banco cooperativo em que nós atuamos como a parte bancária, também estamos montando uma parceria para nos aproximarmos mais dessas regiões onde nós temos a base e eles têm agências para podermos nos aproximar dessas comunidades.

Como está o desafio de conseguir trabalhadores qualificados na região de Florianópolis?

– Esse é um problema importante. Inclusive, logo que fui eleito tive uma reunião com o presidente do sindicato dos trabalhadores do setor de construção da nossa região. Levei para ele essa preocupação e tive uma grata surpresa: eles também estão preocupados. Está tendo um apagão de mão de obra.

Falta qualificação. Então, uma saída é tirar a construção civil da idade da pedra, aumentar a industrialização do setor. Tem um problema aí de processo produtivo, de método produtivo. É preciso industrializar mais.

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Esse é um assunto que também vem sendo discutido na Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Em fevereiro, deve ser realizado um seminário em Salvador, na Bahia, para discutir esse assunto.

Eu inclusive recebi um material que é impressionante. Um dos problemas da mão de obra da construção civil é que a escassez tem a ver com o Bolsa Família. Pessoas que ganham o Bolsa Família têm medo de ir para o mercado de trabalho e perder o benefício do Bolsa Família. Esse é um assunto que está em discussão em diversas cidades.

Como ficou a construção civil em Florianópolis agora que conta com um plano diretor modernizado

 Nós temos o plano diretor, embora não o ideal, mas que ainda precisa de diversas  regulamentações. Temos duas questões que são estruturantes, não só para Florianópolis, mas para o entorno, que é a mobilidade urbana e o saneamento.

Essa questão do saneamento, para nós, é tão importante que nós vamos criar uma diretoria de saneamento. O saneamento sempre esteve inserido dentro da área de meio ambiente e pela gravidade da situação, nós estamos fazendo uma reforma do estatuto do Sinduscon e vamos criar uma diretoria de saneamento. Vamos ter um diretor focado nessas tratativas, para tentar ver como é que nós podemos participar na solução desse problema, que parece ser insolúvel.

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Tem um projeto de lei na Assembleia, que está sendo combatido por alguns, que trata de saneamento. Nós não estamos contra, queremos é mais tempo para entender o porquê do que tá sendo feito. Teve uma audiência pública meio secreta. Eu digo meio secreta é porque eu, por exemplo, não fiquei sabendo.

Olha Florianópolis. Todos falam que se o município sair da Casan, a empresa quebra.  Mas Florianópolis não tem mais condição de ficar subsidiando o resto do estado porque nós estamos com índices horrorosos de tratamento de esgoto no município.

Ainda sobre o plano diretor, uma das novidades é a construção de imóveis populares na ilha.  Como está isso?

– O plano diretor atual teve um grande avanço nessa questão da habitação de interesse social. Nós conseguimos fazer com que o tamanho do lote mínimo de Florianópolis caísse de 360 metros quadrados para 200 metros quadrados. Inclusive, as entidades da cidade como a CDL, OAB e Floripa Amanhã defendiam lote mínimo de até 80 metros quadrados em alguns casos.

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Isso porque temos um problema muito sério no Rio Vermelho, no Campeche, em alguns outros lugares onde a questão da fundiária, ao longo dos anos, sofreu com aquele plano de 1985, que considerou toda aquela região do Leste da ilha como área rural. Então, tinha família, por exemplo, com 10 filhos no mesmo terreno. Por isso, hoje, temos ruas de até 1,5 quilômetro no Rio Vermelho, onde caminhão de lixo não passa.

Então, nós queríamos que o tamanho do lote mínimo pudesse ser reduzido dentro de um processo de buscar uma reorganização fundiária e urbanística dessas regiões que hoje já estão degradadas, com falta de saneamento. Mas o tamanho do lote caiu para 200 metros quadrados.

Na sua opinião, o setor de construção civil da região de Florianópolis deverá crescer dentro da média nacional ou mais em 2025?

– Florianópolis é um ponto fora da curva na questão da construção civil. Isso ocorre em outras cidades catarinenses também. Então, quando se fala em média, provavelmente se nós analisarmos o nosso desempenho em relação à média nacional, nós estamos muito maiores. Mas quando nós nos comparamos com outros locais onde esse boom imobiliário acaba acontecendo, nós estaríamos dentro da média.

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Então, esse negócio da média num país gigante como o Brasil é algo perigoso porque pode acontecer de morrer afogado no rio de profundidade média de 30 centímetros. Basta ter um buraco lá no meio do rio de 8 metros de profundidade. Normalmente a região do Sinduscon da Grande Florianópolis atua em ritmo acima da média nacional.

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