Com a força de quem representa 149 entidades empresariais que congregam mais de 44 mil empresas no estado, a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) inicia no ano de 2025 um programa para conectar essas empresas entre si. De acordo com o presidente da entidade, Elson Otto, o objetivo é viabilizar oportunidades para que façam negócios entre si e cresçam.  

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Outra ação que está entre as prioridades da entidade no ano que se inicia é auxiliar a sua base de associações empresariais na formação de mão de obra, especialmente de tecnologia. Isso porque, segundo ele, quase todas as cidades querem ter o seu centro de inovação. Esse é um tipo de projeto que também requer parceria das associações e outras, avalia ele.

Essa demanda dos centros de inovação foi identificada pela Facisc ao fazer e lançar pela primeira vez o Voz Única Municipal, o primeiro para levar sugestões de gestão ao executivo e legislativo municipais. Leia a entrevista do presidente da Facisc, Elson Otto, a seguir:

A diretoria da Facisc, que o senhor lidera, está perto de completar um ano de trabalho. O que destaca desse período?

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– A nossa gestão está baseada em três pilares estratégicos: simplicidade, objetividade e resultado. A Facisc tem que dar resultado para as empresas afiliadas, que são as donas da federação. Hoje, para você ter uma ideia, estamos com 44.011 associados ao nosso sistema por adesão voluntária. Olhando para os resultados, em todos os nossos programas e projetos de geração empreendedora, nós tivemos crescimento.

Nas nossas soluções empresariais, nos núcleos setoriais do programa empreender, no projeto de inovação Inova Mais, que é a gestão das associações empresariais. Nós precisamos qualificar a gestão das associações e esse Inova Mais é um programa que já existe há três anos, no qual temos a participação de todos.

Também temos o Voz Única, que fazemos há 14 anos. Foi criado na gestão do então presidente da federação, Alaor Tissot. Sempre focou os gestores públicos do estado e do país. E, desta vez, pelo primeiro ano, fizemos o Voz Única Municipal, focado nas gestões municipais, que gerou uma visibilidade para as associações em todos os municípios. A associação de Canoinhas, por exemplo, fez o Voz Única para Canoinhas e para mais cinco municípios da região.

A Facisc fez campanha para aumentar a demanda de serviços, atrair novos associados, ou está sendo um movimento espontâneo? 

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– Desde que assumi, temos objetivos de crescimento de cada serviço, de cada projeto e cada programa, inclusive de número de associados. Então, nós temos metas estabelecidas e estamos no caminho. Eu, por exemplo, tenho a meta pessoal de visitar cem associações este ano, faltam só oito.

Tenho visitado e levado mensagens de otimismo, de que podemos fazer mais, e de motivação para cada presidente, cada diretor e para os associados. Estamos focados no associado. De fato, somos representantes dos associados, eles são os donos da Facisc. Então, nós temos que fortalecer o negócio do associado. O sucesso da Facisc, na minha opinião, é a continuidade. É o grande desafio de cada presidente não cortar programas e projetos.

Como foi a primeira edição do Voz Única para a eleição municipal, uma grande novidade da Facisc este ano? 

– As associações levavam pleitos para os candidatos a vereador, prefeito e vice-prefeito. Percebemos que o poder público municipal está mais conectado com as associações. Hoje, as associações vêm neste crescimento, principalmente na visibilidade, e isso me deixa muito feliz. 

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Temos um aumento de pessoas que participaram do núcleo de jovens, do núcleo de mulheres – nós tivemos um crescimento fantástico de participação de mulheres, aliás, das 149 associações 40 são presididas por mulheres.

Além disso, nós incentivamos os empresários a participarem da política, mostramos como é importante eles colocarem o nome à disposição. Com isso, tivemos muitos empreendedores candidatos a prefeito, ou candidatos reeleitos que vieram do nosso sistema, que foram membros da nossa diretoria de associações.

Também temos presidentes de associações que participaram dos núcleos de jovens e de mulheres. Cito como exemplo a prefeita eleita de Palmitos, a minha cidade, a Giovana Giacomolli (PL), que nunca foi política, se envolveu agora. Ela veio do núcleo da mulher, foi presidente da associação, e foi eleita.

Esses candidatos que vêm do meio empresarial são mais focados no empreendedorismo e na gestão, principalmente dos recursos públicos. Nós precisamos melhorar, sem dúvida nenhuma, a gestão dos nossos municípios. Muitos prefeitos entram lá sem conhecimento, não têm uma gestão eficiente. Então, o conhecimento sobre negócios acaba sendo um diferencial dos empresários eleitos. 

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Entre os pleitos apresentados, o senhor disse que chamou a atenção demanda na área de inovação. O que as associações solicitaram? 

– Os investimentos em inovação ficaram em segundo lugar nas sugestões do Voz Única, que reuniu os pleitos do setor empresarial aos futuros prefeitos. Em primeiro lugar ficou a infraestrutura, principalmente a mobilidade urbana. Em segundo vem a inovação. Todo mundo quer ter o seu Centro de Inovação, todos falam em inovação.

E como vocês ajudarão nisso?

– Posso citar o Centro de Inovação de Itá como exemplo. Ele está sendo construído em parceria com a prefeitura, com o Sebrae, com o setor privado e o governo. Inclusive, o secretário de estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcelo Fett, tem percorrido o estado com esse programa de centros de inovação, que é fantástico.

Evidentemente, precisa de um certo valor para investimento. É orçado em R$ 27 milhões, que eu até acho pouco. O fato é que temos que achar mais recursos.

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O setor privado pode ser parceiro, temos o exemplo de Mafra, também onde o prefeito tomou a iniciativa com apoio do Sebrae, até porque foi um consultor do Sebrae.

O que nós precisamos é qualificar a nossa mão de obra. Nós temos muitas oportunidades, principalmente para mão de obra qualificada.

As associações buscam com as prefeituras a construção de centros de inovação que garantam a formação de mão de obra qualificada dentro do universo de tecnologia, como desenvolvedores de software, por exemplo. 

Mas é bem complexo quando falamos de inovação, porque ela abrange muitas funcionalidades. Na indústria moveleira, por exemplo, como para São Bento do Sul, é uma tecnologia; no agronegócio vamos para a engenharia de alimentos. Cada polo do estado tem uma demanda.

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Então, as associações podem procurar apoio da Facisc para viabilizar formação de mão de obra?

– Exatamente! Nós somos parceiros, somos um instrumento de ligação da demanda do associado, da associação junto ao governo. Nós temos o centro de inteligência que criamos na gestão anterior da Facisc, do presidente Sérgio Rodrigues Alves. Por meio dele, levamos adiante demandas empresariais, mas de forma qualificada.

A associação pede uma coisa, nós fazemos todo o levantamento, se o pedido é possível e se faz sentido. Alguém pede um curso técnico, por exemplo, nós fazemos o estudo para ver se é viável.

Atualmente, a Facisc conta com uma base de 149 associações empresariais. Serão criadas novas associações no estado?

– Agora vem a nossa meta. Nosso objetivo para o ano que vem é justamente elevar o número de associações. Nossa meta são 10 novas associações e fortalecer as já existentes.

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E nós temos plano para conexões de negócios entre as 44 mil empresas (da base da Facisc). Nós vamos fazer negócios entre elas. Isso é um sonho da Facisc há 10 anos que a partir de janeiro deve sair do papel,

E como será esse plano para conectar milhares de empresas para fazer negócios entre si?

– Vamos promover essas conexões usando inclusive inteligência artificial. Já fizemos alguns testes na Expogestão. É um projeto bem amplo. Não teremos somente uma plataforma. A ideia é atender públicos distintos e aumentar a aproximação física dos empresários por meio de feiras, pitches, plataformas, um aplicativo novo.

Não podemos afirmar que iremos atender as 44 mil empresas com um só produto se elas são distintas entre si. Vamos olhar muito para o que cada regional traz. Queremos criar frentes para conseguir atender todos os nossos públicos, para vários segmentos, criar várias formas para que o empresário possa se sentir parte do projeto.

Como exemplo, posso citar o setor de hotelaria. Se organizarmos uma feira, será para o público que trabalha com hotelaria, para unir negócios voltados para o mesmo setor. É um projeto novo, faremos ajustes, mas foi o primeiro pedido que fiz na federação. Precisamos aumentar a conexão entre os empresários para aumentar o número de negócios. 

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A federação só vai sobreviver se tiver negócio, se não tiver negócio não tem associação, não tem federação. Nós temos que cada vez dar oportunidade de novos negócios, de realmente você investir, criar renda, emprego, geração e aí teremos o nosso sucesso

A Facisc lidera o Instituto de Desenvolvimento Econômico Local (Instituto Del), que incentiva o turismo sustentável no Brasil em parceria com a Green Destinations. Como avalia esse programa? 

– Ele é de suma importância, principalmente neste momento, onde teremos novos gestores do setor público que poderão fazer justamente a contratação do serviço do DEL Turismo. Para aderir, a prefeitura precisa fazer um contrato com os profissionais do DEL para ter uma consultoria.

Nós temos a expectativa de crescimento do DEL Turismo e do próprio DEL com a renovação de muitos acordos com prefeituras que têm à frente prefeitos que vieram do empreendedorismo. Será fantástico. Temos vários prefeitos eleitos e reeleitos que já nos procuram em busca do DEL e do DEL Turismo por conta própria. O programa tem uma credibilidade muito boa! 

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E a conquista de selo internacional por seis municípios que participam do Del Turismo repercutir positivamente. Muitos outros se interessaram em aderir ao programa. É importante destacar que todos os municípios que foram premiados nesse Top 100 têm o DEL Turismo. Seis são de Santa Catarina, mas teve de outros Estados porque foram premiados 14 do Brasil.

É um programa muito legal que mostra o tanto que o planejamento para o turismo, o planejamento a longo prazo e a valorização da cultura local trazem de retorno ao município. É um programa importante porque prioriza o turismo sustentável que é bom não só para o turista, mas também para quem mora no local.

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