Nos últimos seis anos, a arquiteta catarinense Rosane Girardi se tornou assídua passageira de voos entre Florianópolis e Assunção, capital do Paraguai. Isso porque o cliente que ela atende no país vizinho, um brasileiro que fez fortuna por lá no agronegócio, decidiu convidá-la para projetar e liderar a construção de um hangar de alto padrão para jatinhos e outros aviões particulares junto ao Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção.
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O Latitude Aviation, inaugurado há cerca de dois anos, é um dos hangares mais luxuosos do mundo, segundo depoimentos de pilotos que pousam em cerca de 90 aeroportos internacionais, informa ela.

Atenta às preferências dos super ricos que têm aeronaves particulares, a empresa priorizou qualidade e conforto. Além de construção e mobiliário premium em salas amplas, os visitantes contam com imigração e aduana no próprio hangar. A arquiteta catarinense, não revela o nome do cliente sócio do empreendimento, nem o valor investido no hangar.
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Veja outras imagens do hangar Latitude Aviation e de projetos da arquiteta em Assunção:
Graduada em arquitetura pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Rosane Girardi atua também em Florianópolis, onde tem a família e o escritório. Mas os projetos no Paraguai são mais grandiosos e já conta com equipe por lá. Trabalha agora no projeto de um amplo condomínio familiar. O próximo passo pode ser a abertura de um escritório em Assunção. Saiba mais na entrevista a seguir:
O que levou você a prestar serviços de arquitetura no Paraguai?
– Fui convidada pelos clientes que eu já atendia aqui no Brasil a fazer arquitetura Paraguai. Eu atendo uma família brasileira que mora em Assunção há 30 anos e fez fortuna lá. Presto serviço para eles há 18 anos. Comecei atendendo em Florianópolis, quando eles adquiriram um apartamento de praia. Daí, há 12 anos, fui fazer os projetos do apartamento deles em Assunção e, mais recentemente, fui convidada para projetar o hangar e, agora, um condomínio familiar.
Como surgiu o convite para projetar um hangar?
– Meu cliente tinha planos para construir uma pista de pouso e um hangar numa fazenda. Mas ele comprou um avião novo, maior, que não cabia no hangar que tinha na capital. Então, foi procurar um maior e não conseguiu. Aí, viu uma oportunidade de mercado. Procurou um terreno já pensando em aviões grandes, em jatos que atravessam continentes.
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A aviação executiva é um mercado muito promissor. As estimativas são de que ele vai crescer 105% nos próximos cinco anos na América Latina, chegando a US$ 1,32 bilhão.
Como são os serviços no Latitude Aviation?
– Na parte de recepção ao visitante estrangeiro, ele é atendido pelo governo e pela aeronáutica. É oferecido no local todo o serviço de imigração e de aduana para passageiro internacional. Quem chega de avião particular não precisa passar pela imigração do Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi. Os aviões usam a pista e a torre de controle do aeroporto internacional, mas todos os trâmites legais são feitos no próprio hangar.
O que diferencia o hangar que você projetou?
– Ele conta com muitos diferenciais. Tem capacidade para receber até Airbus, mas o que mais recebe são modelos Gulfstreams. Mas é aberto a todos que buscam os serviços. O hangar conta com salas de embarque e desembarque, salas vips, área gourmet, auditório e espaço para eventos, entre outros.
Além disso, tem também uma infraestrutura especial para receber os comandantes de aviões, como piloto e copiloto. Existem salas de descanso para eles ficarem por muitas horas esperando.
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O Latitude tem 3.500 metros quadrados só para hangaragem, o maior vão de portas do Paraguai para entrar aviões bem grandes. Temos esses diferenciais porque meu cliente sabia que esse mercado diferenciado precisava desse espaço. O hangar tem vigas de alma cheia, paredes duplas para maior conforto térmico, o piso foi feito por especialistas dos Estados Unidos.
Agora, você está com outro projeto diferente na capital paraguaia, uma vila residencial para uma família. O que pode revelar sobre ele?
– O empresário comprou um terreno amplo, de 13 mil metros quadrados, na Grande Assunção. Decidiu fazer a casa dele lá e os filhos decidiram ficar próximos. Então, tem a casa do patriarca, dos filhos e mais uma casa grande que é um club house, que tem área fitness, piscina e outros equipamentos. Ao todo, são cinco casas.
Está pronta para projetar um novo hangar?
– Sim (risos). Quando iniciei a carreira como arquiteta eu nunca pensei que projetaria um hangar. O resultado surpreendeu e posso fazer novos projetos.
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