A Petrobras reduziu em 1% o preço do gás natural para as distribuidoras no último sábado, 01 de fevereiro. Em comunicado, a presidente da companhia, Magda Chambriard, destacou que o preço do insumo teve redução média de 23% no Brasil desde dezembro de 2022. Mas segundo o presidente da concessionária catarinense SCGÁS, Otmar Müller, 1% é bem-vindo, porém insuficiente porque os preços da molécula aumentaram 223% entre 2020 e 2022. A redução no preço deveria ser de pelo menos 50%, avalia ele.

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Essa queda de 1% só refletirá nas tarifas aos consumidores catarinenses na próxima revisão, em julho. De acordo com o presidente da SCGÁS, o alto preço do insumo, puxado pela escassez causada pela guerra na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, está impedindo a volta do consumo a patamares anteriores ao conflito.

Em Santa Catarina, desde o pós-pandemia o consumo de gás natural caiu 27% e não retomou ao patamar anterior. O recuo aconteceu principalmente na demanda industrial, afetada pela queda da produção do setor de revestimentos cerâmicos. Também houve redução no consumo do GNV (Gás Natural Veicular), na ordem de 50%, e até o momento, não voltou ao nível anterior. As vendas de GNV caíram de 360 mil m³ por dia para 180 mil.

O preço do gás natural está mais caro no Brasil do que no exterior. Na América do Norte também houve influência da guerra triplicando o preço gás natural, mas lá houve retorno ao nível anterior já no início de 2023. No Brasil mantiveram-se os altos preços influenciados pelo conflito europeu.

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Em Santa Catarina, antes dessas altas de preços, a procura era elevada e havia expectativa de expansão das vendas. Mas com os preços atuais, empresas da Serra Catarinense e do Planalto Norte catarinense não aderiram ao insumo, que é mais ecológico que o gás de cozinha (GLP) ou a lenha.

– Esse preço elevado frustrou a nossa expectativa de novos clientes industriais. Por exemplo, em Lages, há um parque fabril de indústrias papeleiras e de processamento de madeiras que eram clientes potenciais para a SCGÁS. Até 2020, reclamavam da demora do gasoduto, mas agora, concluída a obra, não estão aderindo ao gás natural porque está tão caro que preferem continuar usando os energéticos anteriores – explica Müller.

O presidente da concessionária observa que alguns ministérios do governo federal estão tratando de medidas de redução de preços do gás natural desde 2024, mas não ocorreram avanços até o momento.

– O vice-presidente Geraldo Alckmin, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Serviços, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, estão engajados nisso. Discutem vários programas, entre eles o de transição energética. A redução do preço do gás natural é um dos temas prioritários desse programa. O próprio Ministério de Minas e Energia já fez uma simulação sobre o que fazer para voltar aos preços anteriores à guerra – destaca Müller.

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Segundo ele, para Santa Catarina, o custo da molécula fornecida pela Petrobras responde por 64% da tarifa total do gás natural ao consumidor. Sobre tal tarifa incidem ainda outros custos, como a margem da distribuidora, o transporte pelo Gasbol, e os tributos estaduais e federais.

No ano de 2026 entra em vigor lei que prevê a inclusão gradual de biometano ao gás natural na rede de distribuição. Essa inclusão terá acréscimo progressivo de 1% ao ano.

– De início, há a preocupação pela insuficiência de oferta de biometano. Mas temos como fato positivo de estarem se concretizando diversos projetos de produção deste “gás verde”, principalmente no interior do estado a partir do aproveitamento de resíduos da produção agrícola e do lixo das cidades. O desenvolvimento da produção do biometano aliada à disponibilidade do gás natural é fator importante para a interiorização do desenvolvimento econômico de Santa Catarina – enfatiza o presidente da SCGÁS.

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