Diversificada e preparada, a indústria catarinense conseguiu atender maior demanda em 2024 e, por isso, fechou o ano com crescimento robusto, acima da média nacional. Mas o setor vê um ano mais difícil em 2025 depois de ter crescido 7,3% até novembro, destaca o presidente da Federação das Indústrias de SC (Fiesc), Mario Cezar de Aguiar, em artigo no boletim sobre conjuntura econômica e a indústria que a entidade vai divulgar nesta segunda-feira.

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– Para 2025, projeta-se um crescimento mais moderado, de 1,73%, refletindo um cenário econômico mais desafiador, como o aumento da taxa básica de juros e a desaceleração do crescimento da renda familiar. O cenário restritivo combinado à desvalorização recente do real já impactaram o índice de confiança do empresário industrial, que registrou certo pessimismo no final de 2024 – explicou Aguiar no boletim. 

Na publicação, ele alerta também que a incerteza na economia mundial causada pela política tarifária do presidente dos EUA, Donald Trump, gera preocupações. Para o industrial, apesar das oportunidades iniciais para o Brasil, que pode ser menos impactado por seu histórico de déficits com os EUA, os efeitos reais da chamada ‘trumplência’ ainda são imprevisíveis.

Confiança na indústria de SC

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– Mesmo diante desse quadro, setores como agropecuária e construção civil serão fundamentais para mitigar os impactos do cenário mais restritivo e impulsionar o desempenho industrial. Estamos confiantes na resiliência da indústria catarinense, por sua capacidade de adaptação, internacionalização e inovação. Isso sustentará a competitividade e o dinamismo que a definem – ressaltou Aguiar.

No boletim, elaborado pela equipe econômica da Fiesc, que tem à frente o economista-chefe da entidade, Pablo Bittencourt, também é destacado que o que puxou o crescimento industrial em 2024 foi a forte demanda interna, em especial pelo consumo das famílias, e os investimentos.

– A interrupção na queda da taxa de juros, com expectativa de Selic a 15% ao final do ano e um crescimento mais moderado da renda familiar, projetado em 3%, deverão restringir a demanda. Além disso, o impulso fiscal tornou-se mais contido desde meados de 2024, possivelmente refletindo maior preocupação com o elevado endividamento do Estado brasileiro – alerta a Fiesc no boletim.

Por que alguns setores têm mais perspectivas

Em ano de juro alto para conter a inflação, a equipe econômica da federação vê cenário melhor para a agropecuária e a construção civil. A produção agrícola deve crescer 8% e a previsão é de que a oferta de carne bovina vai recuar 3%. Esse recuo da carne bovina abre oportunidades para as carnes de aves e suínos, mais produzidas em SC. Essa atividade requer mais fornecimento de indústrias de papel, plásticos e metalurgia.

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No caso da construção civil, o impulso virá de obras lançadas nos últimos anos, em especial em 2024, o que requer nas etapas de acabamento mais cerâmicas, plásticos e madeira. Além disso, o consumo interno nacional, em especial no primeiro semestre, seguirá com uma certa força, em especial com mais demanda de bens como confecções e eletrodomésticos.

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