Esta quarta-feria, 04 de dezembro de 2024, entra para a história do Grupo Pereira, sétimo maior varejista do Brasil, como o dia em que inaugura quatro grandes lojas da sua maior rede de supermercados: o Fort Atacadista. Com essas unidades, a empresa soma nove novas lojas em 2024 e programa de 10 a 14 unidades a serem inauguradas em 2025, com investimentos de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão, de recursos próprios, adianta o diretor Lucas Pereira Santiago.
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Das quatro lojas que abrem ao público às 8h desta quarta-feira (4), duas são em Santa Catarina: em Itajaí e Lages. Uma é em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, e outra em São Bernardo do Campo, São Paulo. Além disso, a empresa inaugura também neste mesmo dia uma farmácia SempreFort. Juntas, as quatro unidades receberam investimento de R$ 250 milhões e geraram mais de 2.000 empregos entre diretos e indiretos.
– Dezembro, para o varejo, é o mês mais importante do ano – disse ele sobre a decisão de abrir quatro lojas no começo deste mês.
Veja mais imagens sobre o Grupo Pereira e o Fort Atacaista:
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De acordo com o empresário, o faturamento (receita bruta de vendas) deve alcançar R$ 15,2 bilhões em 2024 e, em 2025 chegará perto de R$ 17,5 bilhões,15% mais.
O ritmo de investimentos seguirá elevado porque a ideia é dobrar de tamanho a cada cinco anos, destacou Lucas Pereira. Os aportes envolvem também melhorias em lojas, expansão da rede de farmácias, dos serviços do cartão Vuon Card, e-commerce, atacado Bate Forte e outros negócios.
Um dos desafios dessa expansão acelerada é montar as equipes de pessoas para as lojas. Conforme o diretor, um dos destaques é a contratação de colaboradores 50+, programa que atraiu prêmio, e outro destaque é a admissão de estrangeiros. Saiba mais na entrevista de Lucas Pereira, a seguir:
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Por que a estratégia de inaugurar quatro lojas do Fort Atacadista em um único dia?
– São quatro lojas do Fort, lojas grandes. Este ano vamos finalizar com nove lojas novas e quatro revitalizações importantes no Grupo Pereira. Essas quatro lojas nós inauguramos agora, no começo de dezembro, para pegarmos o final da primeira semana do mês, o Natal, e pegar a época boa do ano ainda com o mês quase cheio. Corremos com as obras para inauguramos ainda dentro de 2024. Dezembro, para o varejo, é o mês mais importante do ano.
Como os acionistas e o grupo se organizaram para este dia histórico de quatro inaugurações?
– É um dia histórico, muito alegre, muito feliz para a nossa empresa. Nós nos dividimos, tanto os acionistas quanto os executivos. Então, o tio Beto Pereira, que é o presidente, está em São Paulo, o tio João, que é o vice-presidente comercial, está em São Paulo; o tio Manuel vai abrir a loja de Itajaí, o tio Inácio vai abrir a de Lages e eu, a de Santa Cruz do Sul.
Nossos diretores comerciais e de operação também se dividiram. Na véspera, na noite desta terça-feira (3), em algumas lojas a gente fez uma cerimônia, uma bênção da nova loja, com um padre e um pastor.
Acho que vale refletir, o que é simbólico das quatro lojas. Duas são em Santa Catarina, onde está a metade do nosso negócio, e em duas cidades importantes para nós. Uma delas é Itajaí, onde o grupo nasceu há 62 anos.
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E as outras são em estados em que a gente escolheu para crescer, em São Paulo e Rio Grande do Sul. Então, essas quatro lojas refletem bem o que foi a estratégia do grupo nesses últimos dois anos e que vai se manter para os próximos.
Quantas lojas foram abertas pelo grupo em 2024 e qual foi o investimento total no ano?
– Abrimos nove lojas e fizemos quatro revitalizações, com investimento de R$ 700 milhões no ano. Nós reformamos algumas lojas do Comper na Região Centro-Oeste do país e estamos reformando a loja número um aqui em Santa Catarina, que é em Joinville. Temos obras importantes em andamento.
E para 2025, quais são os planos de investimento e de novas lojas?
– Para 2025, a nossa perspectiva é abrir de 10 a 14 lojas novas. Isso dará um investimento entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão. Tudo dependerá da velocidade das aprovações, da velocidade das obras, do clima. A ideia são pelo menos 10 lojas, mas com potencial de chegar a 14 novas unidades.
Seguimos na mesma batida de crescimento. No ano passado (2023), nós fechamos o ano com R$ 13,2 bilhões de faturamento. Este ano, passaremos de R$ 15 bilhões, ficaremos próximos de R$ 15,2 bilhões. E no ano que vem (2025), chegaremos perto de R$ 17,5 bilhões.
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E para os próximos anos, os investimentos seguirão no mesmo ritmo?
– Manteremos a proporção de investimento em relação ao caixa gerado. A empresa vai crescendo, vamos reinvestindo mais, ano após ano, batemos o recorde de investimento. Então, no ano que vem, tem esse potencial de chegar até R$ 1 bilhão de investimentos. A ideia é dobrar de tamanho a cada cinco anos.
Vocês seguirão com foco maior no atacarejo ou entrarão mais em supermercados convencionais?
– Segue a proporção do nosso negócio. Hoje, o atacarejo já é mais de 70% do nosso faturamento. Então, no ano que vem, dentro deste mínimo de lojas a abrir, tem Comper, mas é minoria. Nós estamos falando de uma, duas lojas Comper, e o restante será de Fort Atacadista.
O Comper tem excelentes lojas, já são 35. Nós estamos investindo na revitalização destes principais pontos, que tem dado muito resultado.
Onde estão situadas a maioria dessas 35 lojas do Fort?
– Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e em Brasília. Principalmente Cuiabá, Campo Grande e Brasília. Nós também fomos para o interior desses estados. Temos uma loja Comper em Rondonópolis, que é interior do Mato Grosso; uma loja no interior do Mato Grosso do Sul, em Dourados, onde forma o Cinturão da Soja, que é um pedaço do país que tem crescido muito no Centro-Oeste.
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Vocês têm uma presença importante em Santa Catarina. Quanto do total do negócio está no Estado e quais são os planos para o ano de 2025 aqui?
– Sempre falamos desta proporção, da participação de Santa Catarina no nosso negócio, que é mais da metade do grupo. Esse ano, vamos terminar com cinco lojas novas aqui. Foram duas em Joinville, uma em Rio do Sul e agora estamos abrindo, amanhã, uma em Itajaí e mais uma em Lages.
Para o ano que vem, a nossa batida continua a mesma. Nós esperamos abrir em Santa Catarina até oito lojas novas. Então, segue sendo a maior parte do nosso investimento.
Vocês já têm algumas cidades definidas para receber estas lojas e quais serão os critérios para a escolha?
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– Metade destas lojas estará em cidades onde nós já temos presença, onde nós já somos líderes, e vamos nos consolidar buscando espaços em bairros onde não temos uma presença tão forte. A outra metade será em cidades novas.
Uma que já podemos antecipar, que a inauguração está próxima, é a loja do bairro Rio Tavares, em Florianópolis. Ela será inaugurada, muito provavelmente e se tudo der certo, no final de fevereiro.
Existem regiões que vocês pretendem crescer mais, avançar?
– Estamos abrindo a segunda loja em Lages amanhã. É uma praça superimportante. Em Chapecó nós temos uma loja só, mas a loja é muito bem-sucedida. Seguimos procurando cidades e terrenos no Sul e no Oeste também. Na expansão deste ano, por exemplo, nós fomos a Rio do Sul, uma cidade nova que não tínhamos presença, e consolidamos Joinville, Itajaí e Lages.
Como está a expectativa de expansão da rede de farmácias?
– Temos crescido no mercado de farmácias, mas dentro de uma estratégia. Não é o nosso negócio principal. É um negócio importante para consolidar a jornada de compra do cliente. Onde tem espaço para farmácias nas nossas lojas nós colocamos. A rede de farmácias vai dobrar de tamanho nos próximos dois anos.
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Entre os benefícios que o Fort Atacadista oferece aos consumidores, o que o senhor destaca?
– Quem conecta esses negócios todos, que internamente chamamos de trancamento dos negócios é o Vuon (cartão próprio). Nós temos todos aqueles descontos dentro do Fort, dentro do Comper. Dentro da farmácia o Vuon é muito forte, assim como dentro dos postos de gasolina (temos dois) onde dá desconto.
Hoje, já são quase 1,5 milhão de cartões Vuon. São superimportantes dentro do nosso negócio. Entre 20% e 25% do nosso faturamento passa pelo Vuon. Esse cliente tem desconto em todos os negócios do grupo.
O setor supermercadista é um dos que enfrentam falta de trabalhadores qualificados em Santa Catarina. Como vocês estão enfrentando isso?
– Este é um tema importante, mas um problema bom. O estado tem crescido muito, o desemprego é baixo. Cidades como Joinville, São Bento do Sul, Jaraguá do Sul, Chapecó e a própria Florianópolis, têm desemprego praticamente zero.
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São aqueles 2,5% que aparecem, o que temos que olhar com o copo meio cheio. Tem muita renda disponível, tem cada vez mais pessoas de fora do estado vindo para o estado. A perspectiva de Santa Catarina é que cresça a população nos próximos anos, ao contrário de muitos Estados, que estão estagnados ou diminuindo.
– Muita gente empregada é bom porque tem renda e o varejo precisa disso. Por outro lado, nós realmente temos este desafio da mão de obra qualificada, recebemos cada vez mais pessoas de fora, inclusive de outros países, e investimos muito em treinamento interno.
Hoje, trabalhar em supermercado é o primeiro emprego da maioria das pessoas, por isso é preciso oferecer treinamento.
Quantos estrangeiros trabalham no grupo?
– São 970 funcionários de outras nacionalidades trabalhando em toda a nossa rede, no Brasil. Posso afirmar que o resultado do trabalho com estrangeiros é uma grata surpresa porque são colaboradores super disciplinados, muito trabalhadores, eles vêm para reconstruir a vida. Muitos têm um grau de escolaridade superbom, atendem bem o cliente, são super educados.
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A empresa tem se destacado por contratar pessoas com mais de 50 anos e até fez uma campanha sobre isso. Como está a participação desse grupo na empresa?
– Esta campanha foi super significativa e nos rendeu um importante prêmio. Somos os primeiros varejistas alimentares do Brasil a receber o selo internacional Age Friendly, dado para varejistas que são acolhedores de pessoas com mais de 50 anos.
São trabalhadores que vêm com muita alegria para o Fort, gostam de atender os clientes, são educados, são muito resilientes e trazem experiência para contribuir com os mais jovens. Com isso, seguido temos quatro gerações trabalhando num supermercado, desde um jovem aprendiz de 16 anos a um senhor de 70 anos. Hoje, 14% dos nossos colaboradores são 50+ enquanto a média do mercado é de 3% a 4%.
Olhando para o cenário econômico, temos dólar alto e inflação alta. Como isso impacta o Grupo Pereira?
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– O grupo fez este ano 62 anos. Então, nós já passamos por todos os momentos econômicos e políticos imagináveis no Brasil. Passamos por todos aqueles planos econômicos dos mais mirabolantes aos mais simples, e nós conseguimos crescer em todos estes períodos.
Nós sabemos que no Brasil, inflação, juros, dólar são cíclicos. Em um momento, dólar está 6, dólar já teve 3, taxa de juros já teve 2, agora está subindo. Então, nós nunca deixamos de fazer a nossa parte e fazer o nosso planejamento.
Claro que estes indicadores mudam o mercado, a taxa de juros hoje inviabiliza um investimento maior, mas independente disso, nós sempre investimos com o caixa próprio. Se pegarmos os últimos 5 anos, nós fomos muito consistentes no número de lojas, no mercado de investimento, no crescimento, sempre crescimento orgânico, boas lojas, em bons pontos. O nosso planejamento, mesmo com essa mudança macroeconômica, se mantém.
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