Pesquisas sobre formação de executivos que chegam à presidência de empresas indicam que a maior parte cursou engenharia. Algumas sondagens de anos recentes, mostraram que quase 50% haviam passado por essa graduação técnica e os centros de pesquisa empresariais são dominados por esses profissionais. Mas o desafio das universidades brasileiras é evitar a evasão de estudantes de engenharia, que varia de 25% a mais de 70%, dependendo da instituição.
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Esse foi um tema abordado durante o segundo CREA Summit, congresso do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-SC) no final de semana no Expocentro em Balneário Camboriú. Entre as lideranças que comentaram o assunto estão o presidente do Conselho Federal de Engenharia (Confea), Vinicius Marchese, e o presidente do CREA-SC, Carlos Kita Xavier.
Veja imagens dos entrevistados e do evento CREA Summmit:
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– A evasão é elevada, mas varia muito dependendo do curso e se estamos falando de educação pública ou privada. Quando você vai para a engenharia ministrada no ensino público, a evasão está nos 25%, 30%. Quando observa o ensino privado, está na casa dos 40%. Mas quando curso é EAD, em alguns casos vai parar em 80% – afirmou o presidente do Confea, Vinicius Marchese.
Segundo ele, pesquisas de mercado apontam que o Brasil vai necessitar de aproximadamente 1 milhão de novos engenheiros até 2030, mas as universidades atuais não têm condições de formar todas essas pessoas. Falta condições para formar e, também, para oferecer o nível de formação adequada.
– Hoje, a gente não está conseguindo atingir o nível de qualificação que o mercado exige. São vários desafios. Um problema é de formação técnica de base, de conhecimento de matemática, ciências exatas. A formação inicial não dá o suporte necessário para o estudante realmente terminar o seu curso de engenharia. Significa que o ensino básico precisa ser reforçado para que os estudantes cheguem na engenharia com mais conhecimento na área de exatas – explica o presidente do Confea.
Vinícius Marchese acentua que quando se fala em empreendedorismo, infraestrutura, cidades inteligentes, projeção econômica do país, tudo isso está alicerçado na engenharia. Segundo ele, um outro dado que mostra o quanto o Brasil está atrás nessa área, em países desenvolvidos são formados três profissionais de engenharia para cada cinco de administração e direito. No Brasil, se forma um profissional de engenharia para cada onze de administração e direito.
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Ensino da engenharia começa na base
Para o presidente do Conselho Regional de Engenharia de SC, Kita Xavier, são vários obstáculos que impedem o Brasil de ter o número necessário de engenheiros. Um deles é que muitos jovens preferem não fazer um curso que exige muito cálculo e física. Outro problema seríssimo é que algumas instituições estão oferecendo cursos a distância, sem a qualidade necessária.
– O ensino da engenharia começa na base, porque nós, profissionais, eu particularmente, tive essa vocação desde a infância, já conhecendo a engenharia, gostando daquilo que a gente faz, de criar, de brincar com legos. Quando você coloca isso em mente, você vai fazer um curso, você faz um curso muito bem-feito – comentou Kita Xavier, contando como foi que escolheu a engenharia.
O presidente do CREA revela que a família dele tem uma vocação especial para engenharia, apesar de o pai ter sido comerciante. Dos sete filhos, cinco cursaram engenharia. E, atualmente, considerando todos da família, são 14 engenheiros. Ele é engenheiro civil e também casado com uma engenheira civil, a professora de engenharia Silvia Santos, da Universidade do Vale do Itajaí (Univali).
– Nós precisamos incentivar lá na base, para que a gente possa ter uma educação eficiente, para que a gente possa ter professores que motivem esses alunos a estudar e que essas crianças frequentem a escola de forma adequada, com bom ensino de matemática e outras disciplinas da área de exatas – enfatizou Kita Xavier.
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Segundo ele, a evasão nos cursos de engenharia em Santa Catarina está na média nacional. Cita palestra que fez recentemente em um curso de instituição privada em SC de primeiro ano em que somente 50% dos alunos compareceram.
Incentivo para mulheres na engenharia
Além da dificuldade do Brasil em formar mais engenheiros, existe uma demanda maior por mulheres na engenharia. Isso porque, no mundo, muitas empresas estão aderindo a objetivo da ONU de ter 50% de mulheres em cargos de liderança.
Atualmente, o CREA-SC tem 77 mil engenheiros registrados e, desse total, 20% são mulheres. Conforme Kita Xavier, é preciso elevar esse percentual. O conselho apoia iniciativas nessa área. Um dos programas já apoiados foi o Minatech, que incentiva a inclusão de meninas nos cursos de engenharia e tecnologia.
– Existe uma lenda que é o mundo da engenharia, da agronomia, a geociência é machista, mas, muito pelo contrário. Quando as mulheres fazem um trabalho, elas se dedicam para fazer melhor, apresentam um trabalho fantástico – enfatizou o presidente do CREA-SC.
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Ainda sobre o nível da educação, ele alerta que as deficiências de qualidade do ensino fundamental acabam dificultando o avanço de estudantes nos cursos de engenharia. Ele conta que a esposa, que é professora na graduação, informa que muitos alunos vêm aprender na universidade conceitos básicos que deveriam ter aprendido no ensino médio ou fundamental.
Apesar das dificuldades nos cursos de engenharia, o CREA Summit, feito para os profissionais, superou as expectativas com mais de 2 mil inscritos. Entre os participantes, muitos estudantes que integram o CREA Júnior, movimento que promove a integração dos futuros profissionais das áreas de engenharia e geociências.
E além disso, logo depois que se formam, o CREA-SC, que faz o registro dos novos engenheiros, também investe no aprimoramento profissional deles por intermédio de uma universidade corporativa. São diversos cursos gratuitos de capacitação e, também, oferece apoio para outros cursos fora da instituição.
Desafio nacional
Existe um esforço nacional para melhorar o aprendizado de estudantes no país em todos os níveis, inclusive com atenção maior para as áreas de ciências exatas, diante da maior demanda das empresas pelos profissionais STEAM (sigla inglesa para ciências, tecnologia, engenharia, arte e matemática).
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Os cursos de engenharia dão uma ideia de que o desafio é grande, mas pode ser superado. O
país tem algumas escolas de excelência nos setores público e privado e iniciativas como as olimpíadas de matemática, que incluem cada vez mais estudantes nessa busca de maior aprendizado. Isso é importante para o Brasil ter melhores condições de competir no mercado internacional em inovação e tecnologia.
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