Quando 2024 começou, em primeiro de janeiro, o dólar comercial estava em R$ 4,85. Nesta quarta-feira, chegou à cotação recorde de R$ 6,27, um valor 29,28% maior. A principal causa é o gasto público federal acima da receita a decisão do mercado de aguardar a aprovação do pacote do governo para ajustar as contas. Mas o economista-chefe da Federação das Indústrias de SC (Fiesc), Pablo Bittencourt, diz que o ambiente externo e a tradicional saída de capitais no fim do ano também impactam.

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O pacote fiscal é fraco e, mesmo assim não teve apoio para ser aprovado nesta quarta-feira na Câmara dos Deputados. Ficou para esta quinta-feira. Esse foi um dos estopins, ontem, para a alta maior do dólar. O mercado duvida da capacidade de o governo ajustar as contas e deixa de aplicar recursos no Brasil.

– A principal causa da alta dólar é a total falta de credibilidade fiscal, explicada por uma sequência de ações inadequadas: PEC da transição de expandiu exageradamente os gastos do governo, ainda em 2023; lançamento do arcabouço fiscal sem que todos as regras de gastos estivem adequadas ao próprio arcabouço; modificação das metas de superávit primário, que haviam sido definidas 4 meses antes; e lançamento de um pacote fiscal insuficiente, mal explicado e contaminado por anúncio de isenção de IR para rendas até R$ 5.000 em 2026 – explica o economista Pablo Bittencourt.

Além disso, o ambiente externo se tornou mais arriscado, especialmente por causa das políticas comerciais anunciadas por Donald Trump. Isso tem feito com que os investidores estejam saindo de países emergentes, como o Brasil e indo para os EUA, observa o economista da Fiesc.

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Com a economia cada vez mais internacionalizada e preços cotados em dólar, esse custo maior já está afetando a vida dos consumidores com o maior valor das viagens internacionais, preços de alimentos como o trigo, milho, óleo e também de combustíveis.

Essa inclusão de custos é gradativa, depende de cada setor. Alguns são imediatos e outros podem demorar até 10 meses. A economia catarinense, por exemplo, é grande importadora de insumos para a indústria. Esses custos vão entrar em preços de uma série de produtos, em especial os de metalmecânica e plásticos. A dúvida sobre as contas públicas gera alta no dólar desde meados do ano e esses custos vêm entrando nos preços.

Conforme o economista Pablo Bittencourt, a inflação do dólar chega primeiro nos produtos importados, depois entram nos itens feitos no Brasil com matérias-primas importadas. Mas o que ele considera mais complicado é que o dólar alto pode gerar um processo inflacionário com efeitos muito deletérios para a economia já em 2025.

E como o Brasil poderá sair dessa ciranda negativa do real desvalorizado? O economista diz que é preciso aprovar o pacote e, se não for suficiente, o governo federal terá que adotar mais cortes.

 – A aprovação do pacote fiscal é decisiva, pois saberemos se o governo tem alguma força no congresso. A reação do mercado ao que for aprovado é central à economia em 2025. Não é suficiente que o dólar se estabilize no atual patamar. É preciso uma valorização do real, para algo mais próximo de 5,9 ou menos. Caso isso não aconteça nos próximos meses, apenas um novo anúncio de pacote fiscal poderá melhorar as perspectivas para a economia brasileira – destacou Pablo Bittencourt.

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É importante que o governo federal e o Congresso Nacional se conscientizem de que é preciso fazer os ajustes agora antes de o país enfrentar uma crise ainda maior. Em caso de crise econômica, com recessão, os mais afetados são sempre os mais pobres.

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