O Grupo Koch, dono das redes de supermercados Super Koch e Komprão Koch Atacadista, comemorou 30 anos de atuação na noite de quinta-feira (04) no Expocentro de Balneário Camboriú. No evento, que reuniu 1.200 convidados, o presidente do grupo, José Koch, revelou que o plano para este ano é chegar a 80 lojas e faturamento de R$ 9,5 bilhões.

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Além de celebrar os 30 anos da empresa fundada na cidade de Tijucas em 1994, os irmãos Koch, Sebastião, Geraldo, José, Antônio e Albano lançaram um livro contanto da trajetória das primeiras três décadas, denominado “De feirantes a gigantes”.  

Com a empresa está estruturada, o plano é seguir investindo. Para este ano, o grupo projeta a abertura de 13 supermercados, todos em SC. Saiba mais na entrevista de José Koch a seguir:

Como o Grupo Koch chega aos 30 anos?

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– Em primeiro lugar, o Grupo Koch chega aos 30 anos de fundação conseguindo manter a união da grande família Koch. Mesmo com crescimento da empresa e da família, a família continua unida. Isso é um grande legado que a gente vem deixando.

Um outro destaque é que o Grupo Koch cresceu nesses 30 anos e continua crescendo. Ele é um navio que segue. Chega a essa idade com todas as expertises que criamos nesse tempo e seguimos crescendo.

É um grupo que alcançou um valor de mercado, tem uma imagem muito boa e segue com um planejamento estratégico para o futuro, para continuar crescendo.

Quais são os planos de investimentos para os próximos anos?

– Primeiro, temos o planejamento para este ano. Nossa previsão de faturamento é chegar a R$ 9,5 bilhões em 2024, com 80 lojas. Para que isso aconteça, precisamos inaugurar este ano mais 13 lojas.

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A expectativa é crescer 35% em vendas frente a 2023. Atualmente, temos 67 lojas e um quadro de 10 mil colaboradores.  

Sobre investimentos, não temos um valor definido ainda. Vai depender de cada projeto de loja, se terá imóvel próprio ou não. Mas, em média, investimos R$ 30 milhões em cada loja (R$ 390 milhões).

O grupo seguirá crescendo em Santa Catarina ou vai utrapassar as fronteiras do Estado?

– Por enquanto, o nosso planejamento prevê crescimento em Santa Catarina.

Por que a decisão de lançar o livro “De feirantes a gigantes?

– Primeiro, para marcar, registrar e eternizar nossos 30 anos de história. Acho que esse é um dos principais motivos que tivemos para lançar o livro.

Em segundo lugar, que a nossa história possa servir de inspiração para outras pessoas, outras empresas, outros empresários. A bela história que fizemos mostra que você pode começar um negócio muito pequeno – começamos como feirantes – e ao longo do tempo pode crescer e se tornar uma grande empresa, muito respeitada.  

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Os cinco irmãos Koch, que são cofundadores do grupo que hoje tem 67 lojas (Foto: Divulgação)

Vocês são cinco irmãos que começaram a trabalhar cedo. O que o senhor estaca desse início de trajetória?

– Eu comecei a trabalhar no setor supermercadista com 28 anos, mas nós viemos da feira. Antes de abrir o supermercado, fizemos 14 anos de feira livre na Grande Florianópolis. Fazer feira livre é um desafio porque você pega sol, chuva, frio, calor, madrugada, monta a barraca e desmonta.

Como era difícil fazer feira, decidimos vender hortifruti e outros produtos numa loja de tijolos em 1994 e hoje faz 30 anos que abrimos nosso primeiro supermercado.

Resumindo bem: contei no nosso evento de 30 anos, quinta-feira, como nós começamos. Meus pais estavam presentes. O meu irmão mais velho convenceu meus pais a vender uma junta de bois para comprar uma Kombi para começarmos fazer feira livre.

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Eu comentei que meus pais não só aceitaram vender a junta de bois para comprar a Kombi para os filhos começarem o negócio, como doaram a junta de bois. É uma história muito bonita, muito bacana.

Nas feiras livres tivemos muitos aprendizados. Aprendemos muito bem trabalhar com hortifruti. Até hoje, nosso setor de hortifruti é referência. Outra coisa: nos tornamos muito mais resilientes. Como pegávamos madrugada, frio, calor, chuva, produto perecível, isso criou muita resiliência.

Abrimos a primeira loja, cinco anos depois abrimos a segunda e não paramos mais de crescer. Até a segunda ou terceira loja, fazíamos as duas atividades em paralelo. Ainda éramos feirantes e tínhamos supermercado para ter maior segurança financeira. Não sabíamos qual seria o futuro dos supermercados.

Que estratégias levaram uma empresa fundada por jovens a se tornar um grande negócio?

– A gente levou 24 anos para começar a aparecer na mídia. Poucos conheciam o Koch. Acho que a primeira matéria que você fez conosco foi há cerca de seis anos. Nós crescemos muito nos últimos seis anos.

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Quando a nossa empresa chegou a R$ 1 bilhão de faturamento, percebemos que precisávamos organizá-la e profissionalizá-la. Então, nós nos organizamos, nos estruturamos e crescemos mais.

Nós criamos o nosso conselho da administração e o conselho de família. O Grupo Koch é auditado há mais de sete anos pelas Big Four (as quatro maiores empresas de auditoria do mundo).

Transformamos a empresa em S.A., o que exige uma gestão muito mais eficiente, com divulgação de balanço. Criamos diretorias, uma para cada área, para deixar bem claro os papéis de cada diretor. Tudo fica mais funcional.

Temos reuniões mensais do conselho de administração, que tem um presidente de fora da família acionista. Tem pauta e tudo é registrado em ata.

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Então, o que eu posso dizer é que nós criamos um planejamento para o crescimento e executamos esse planejamento. Mas além disso, organizamos e profissionalizamos a empresa. Eu sempre digo que temos o plano A e o plano B, e que o plano B é executar o plano A.

Então, com muita calma e muito discernimento a gente vai crescendo ao longo do tempo sempre com o mesmo objetivo e com a mesma dedicação. Não temos alguns segredos, temos vários segredos.

Quais foram os períodos mais difíceis da empresa?

– Um período difícil foi o início (em 1994) porque você sair de uma barraca de feira e montar um mercado é muito desafiador. Tivemos muita coragem, ousadia e determinação.

Depois, tivemos as crises econômicas. A primeira foi a financeira, dos Estados Unidos, em 2008. Ninguém sabia como isso ia impactar os negócios. Em 2016, tivemos a recessão. Isso mexeu muito com a economia do Brasil.

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Foi justamente em 2016 que nós estreamos no mercado de atacarejo, abrimos a rede Komprão. Foi um grande acerto nosso.

A própria pandemia foi um grande desafio. Quando começou gerou um pânico geral, momentos de muita incerteza. Quando começa uma guerra, uma pandemia, ninguém tem o domínio do que fazer porque são muitas as incertezas.

E quais foram as melhores fases?

–  Ao longo desses anos, também tivemos muitas coisas boas. Entre elas eu destaco a união da família, a profissionalização da empresa. Outra, foi o acerto no negócio de atacarejo. Das 67 lojas atuais, 21 são de varejo (da rede Super Koch) e 46 são atacarejo. Do total do faturamento, 75% vêm da área atacadista.  

Quais são as preocupações do dia a dia do presidente de uma grande rede de supermercados?

– Em primeiro lugar é manter a empresa competitiva. É um mercado em que a gente disputa com grandes players do Brasil. Outro desafio é profissionalizar a empresa e seguir melhorando o atendimento.

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Isso porque a concorrência está cada vez maior e próxima. Dependendo da região que você mora, há 10 anos havia uma loja de supermercado próxima. Agora, podem ser 10 lojas. São desafios. Mas ao mesmo tempo que tem desafios, existem muitas oportunidades.

Um diferencial das empresas são as pessoas. O que vocês priorizam na gestão de pessoas?

– A gente trabalha com muito carinho a gestão de pessoas. Temos 10 mil colaboradores e um RH bem estruturado. Trabalhamos para ter em cada loja gerências que promovam um ótimo ambiente de trabalho. Quando você tem um ótimo ambiente de trabalho cada colaborador dá o seu melhor.

Com esse ambiente de trabalho legal, com benefícios, a gente já conquistou pelo terceiro ano o certificado da GPTW (Great Place To Work) de melhor empresa para trabalhar. É preciso estar sempre atento para manter as equipes.

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