O dinâmico e bilionário mercado da construção civil do litoral de Santa Catarina, com o metro quadrado mais caro do Brasil, não é feito apenas por empreendedores nascidos em solo catarinense. Muitos vêm de outros estados, como a empresária gaúcha Cíntia Pereira, do Grupo CBA, que tem projetos em SC que somam valor geral de vendas (VGV) de R$ 3,5 bilhões e landbank (banco de terrenos) de R$ 4,5 bilhões.

Continua depois da publicidade

Entre na comunidade exclusiva de colunistas do NSC Total

Em atividade desde 2015 na cidade de Cachoeira do Sul, região central do Rio Grande do Sul, o Grupo CBA foi fundado pela advogada Cíntia Pereira. Apesar de ser de uma família do agro – o pai é produtor de soja – ela decidiu ingressar no setor de construção. E logo que edificou o primeiro projeto veio investir em Florianópolis.  

Veja mais fotos sobre Cíntia Pereira e o Grupo CBA:

Continua depois da publicidade

Na noite de terça-feira (04), a empresária inaugurou a casa conceito CBA, um espaço em Jurerê Internacional para receber os clientes do grupo, que atua com duas empresas no estado. A CBA Empreendimentos é do segmento de imóveis de luxo; e a Viva Corp, do segmento de primeiro imóvel com alto padrão construtivo.

– Eu sou o “C” da CBA. O “C” é de Cíntia, o B é de Billmann, do meu alemão amado que está trabalhando até agora no escritório (o marido e sócio Vinícius Bilmann) e o “A” é de amor. Então, é uma empresa familiar que tem dono, que tem cara e que tem uma mulher à frente da incorporação – declarou Cíntia Pereira quando se apresentou a convidados no evento de terça-feira.

Ela também fez questão de falar sobre o município em que nasceu, Cachoeira do Sul, que fica na região central do RS, entre Santa Maria e Porto Alegre e tem cerca de 100 mil habitantes. É casada com o neto de um imigrante alemão que construiu a famosa Ponte do Fandango, na entrada do município.

Com sonho de ser juíza, cursou direito e fez a escola de magistratura. Mas quando concluiu essas formações, em 2005, entrou em vigor uma lei nacional que exige três anos de experiência para fazer o concurso para magistratura.

Continua depois da publicidade

Então, ela decidiu buscar emprego no mercado e foi selecionada para ser advogada da Afubra, Associação dos Fumicultores do Brasil, sediada no RS. Trabalhava com 42 técnicos agrícolas e criou um plano agro para vários municípios.

– Comecei a ganhar dinheiro e o meu pai dizia: compra mais 100 hectares lá na fazenda. Dinheiro compra campo. Sabe aqueles gauchões que acham que só o que vale na vida é campo? – afirmou ela.

Mas duas semanas depois dessa conversa com o pai ela decidiu entrar no setor de construção civil e informou ao marido que iria começar a construir.

Ele discordou, disse que a empresa quebraria em dois minutos, revelou ela. Apesar disso, duas semanas depois, Cíntia comprou o terreno, calculou que tinha dinheiro para construir nove apartamentos e conseguiu fazer esses primeiros imóveis dentro do Minha Casa Minha Vida.  

Continua depois da publicidade

Então o marido, que tinha a construção no DNA – herdeiro do construtor da ponte histórica da cidade – decidiu ajudar. Vendeu outros negócios que tinha em conjunto com a família e concentrou o trabalho na CBA.  

– A gente nasceu – CBA e Viva Corpo – com a consultoria do Vicente Falconi. Uma consultoria que fez todo o planejamento para uma empresa ajeitada, estruturada, de crescimento. Quando contratei a Falconi eu tinha feito apenas os nove primeiros apartamentos e três funcionários. O consultor riu. Conto isso só para mostrar a vocês que nós nascemos do jeito certo. Eu sabia muito bem para onde eu queria ir – enfatizou a empresária.

O Grupo CBA começou com a empresa Viva Corp, que foi convidada pela Caixa para fazer habitação social em Cachoeira do Sul. A orientação da consultoria foi que, para ganhar dinheiro com o Minha casa minha vida tinha que controlar custos e fazer um negócio com gestão muito bem-feita. A partir dessa orientação, a empresa também adotou governança.   

– Apesar de ser uma empresa de capital fechado ainda, eu tenho governança plena, executiva, administrativa, financeira – afirma Cíntia.

Continua depois da publicidade

A entrada no segmento de imóveis de alto padrão, além do primeiro imóvel, levou em conta um conselho do economista Paulo Guedes. Ele chamou a atenção da empresária para o fato de que mais de 90% dos brasileiros têm baixa renda, mas precisam de imóveis.

– Eu sou uma pessoa muito humana. A minha empresa nasceu da Viva Corp, ela não nasceu da CBA. Eu decidi fazer produto AAA em algum lugar, mas vou seguir com crescimento da Viva Corp que é o meu alto padrão consultivo que eu tenho com a Caixa Econômica Federal –afirmou ela.

A decisão de investir em Florianópolis há quase 10 anos foi também por afinidade em função de férias e convite de uma amiga que residia em Jurerê Internacional. O balneário mais famoso da Ilha de SC terá diversos empreendimentos da CBA.

Atualmente, o grupo tem 16 obras em andamento, das quais 12 são em Santa Catarina e quatro no Rio Grande do Sul. Em Florianópolis, conta com dois empreendimentos premium, o Meraki Sunset, no bairro João Paulo, e o Physis Place, no Centro. Lançou, na terça-feira, o Porto Madero, que será em Jurerê Internacional.

Continua depois da publicidade

Um dos projetos da Viva Corp, este ano, é o Gran Mall Tech, que será lançado em março. Fica ao lado do Tican, o Terminal de Integração Canasvieiras de transporte coletivo. É também próximo da Havan e do Fort Atacadista.

Desde o inídio de atividades no RS, o grupo já entregou 11 empreendimentos, dos quais dois em SC, nas cidades de Florianópolis e São José, somando 613 unidades. Atualmente, tem 16 projetos em obras ou em desenvolvimento, sendo 12 em SC, nas cidades de Florianópolis, São José, Biguaçu e Itajaí, que somam 4.863 unidades.

O valor geral de vendas (VGV) para os próximos três anos é de R$ 3,5 bilhões e o landbank tem mais de 30 terrenos, que somam valor de R$ 4,5 bilhões. Além do RS e SC, começou a investir na Bahia.

Leia também

Empresa farmacêutica bilionária de SC fecha 2024 com faturamento maior

Sindicato doa material escolar a crianças por meio de projetos sociais

Presidente de grupo hoteleiro de Portugal vem a SC avaliar potencial para investimentos

Preço do gás natural deveria cair mais para retomada do consumo, alerta SCGÁS