A arte por meio da música, canto, dança ou outras expressões torna as pessoas mais sensíveis e ajuda a serem profissionais mais qualificados. É por isso que a Sociedade Cultura Artística (Scar) de Jaraguá do Sul, entidade de 69 anos que realiza até este sábado (25) o 20º Festival de Música de Santa Catarina (Femusc), se tornou uma empresa de referência com mais de 3 mil alunos e exporta essa gestão para mais de cidades de Santa Catarina.

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Empresas bilionárias e de outros portes locais e de fora, além de pessoas físicas colaboram por meio das leis de incentivo à cultura ou por doações. Os recursos custeiam atividades da Scar e o festival internacional, que neste ano recebe mais de 30 mil pessoas, incluindo estudantes de música de 27 países.

Veja fotos de lideranças ouvidas pela coluna em Jaraguá sobre cultura, educação e economia:

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– Empregamos na Scar mais de 200 pessoas direta ou indiretamente. Realizamos mais de 20 projetos por ano. Estamos gerando um fluxo de R$ 9 milhões anuais em projetos incentivados para poder manter essa estrutura. Nosso orçamento está na casa de R$ 4,4 milhões – explica o presidente do conselho da Scar, empresário Luis Hufenüssler Leigue.

Segundo ele, a Scar é um exemplo de que a gestão cultural pode ser de alta qualidade e avançar além do município. A entidade firmou parcerias para ministrar aulas em outras cidades de SC. E isso acontece também com o Femusc, que colabora com festivais de outras cidades.  

 – Temos 4 mil alunos que estudam na escola de artes aqui em Jaraguá e nas mais de 10 cidades onde temos parcerias. Além disso, a gente já tem cinco orquestras. Então, conseguimos dar essa potência na gestão. E o que a gente está querendo exportar é justamente esse modelo de gestão, principalmente porque essa questão dos projetos incentivados por editais é muito burocrática – afirma Luis Leigue.

A Scar está replicando o modelo em entidades de outras cidades, que atuam como se fossem filiais da escola de artes da instituição. Além da matriz, em Jaraguá, está com cursos em Joinville, Blumenau, Brusque, Itajaí, Schroeder, Corupá, Massaranduba, Guarimirim, São Bento do Sul, Mafra, Timbó, Pomerode, Balneário Camboriú e Florianópolis.

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Mais de 50% dos alunos contam com bolsas para estudar  gratuitamente. E quem não tem instrumentos para tocar, utiliza dos da instituição.  

– Neste ano, aumentamos a nossa grade para receber alunos. Então, a gente já atende, literalmente, de crianças de um ano até o profissional. Temos aluno de música de um ano. É o meu filho de um ano e meio que passou a fazer musicalização. É o mais novo aluno da Scar – comemora Luis Leigue.

Música ajuda nas ciências exatas

A empresária Monika Hufenüssler Conrads, que já presidiu a Scar e hoje é diretora do Femusc, considera relevante esse projeto desenvolvido em outras cidades também. Isso porque colabora para a educação formal e técnica.

– Temos a crença de que de que a educação musical faz diferença para as comunidades, para as crianças. A partir de educação musical de qualidade as crianças formam sinapses no cérebro que as ajudam, principalmente, nas ciências exatas – destaca a empresária.

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Uma das parcerias da Scar é com o Sistema Fiesc, da Federação das Indústrias de Santa Catarina, para escolas do Sesi, onde as crianças começam a receber educação musical também.

Além disso, os participantes do Femusc começaram a levar o modelo para outras cidades de SC e do país, melhorando a vida nas suas comunidades.

– Não temos a pretensão de que que os alunos que estudam aqui sigam a carreira musical. Se seguirem, é maravilhoso! Se não, que sejam bons cidadãos, que façam as coisas com o coração – destaca Monika Conrads.

A indústria precisa dessa criatividade

Na opinião do empresário Giuliano Donini, que também já presidiu o conselho da Scar, a cidade de Jaraguá do Sul se diferencia por ter educação na área cultural.

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– A gente gosta de olhar Jaraguá com uma visão super sistêmica. Então a indústria, a educação, a saúde, é tudo muito equilibrado. Quando olhamos os indicadores de Jaraguá, é, recorrentemente, uma das cidades mais seguras do país. Isso tem tudo a ver com a educação. É a educação formal e todo o

processo de educação informal e indireta. Isso inclui o que se pratica aqui na Scar, que tem mais de 3,5 mil alunos – destaca Giuliano Donini.

Esse é o resultado da participação de toda a comunidade, inclusive a comunidade empresarial. Para o empresário, são diversos movimentos, inclusive os intangíveis, que indiretamente, depois, se refletem na comunidade.

– Nós temos em Santa Catarina 9 mil empresas do setor têxtil, 170 mil trabalhadores na indústria têxtil e de confecções. Não temos formação de gente suficiente. São ambientes como esse que acabam formando e desenvolvendo pessoas, inclusive para a indústria, para a economia real. Estudos do MIT, que é um baita ambiente acadêmico mundial, mostram que todo engenheiro que tem na música sua segunda principal ocupação é muito mais produtivo do que os demais – explica Giuliano Donini.

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Scar é parceira do Sesi na arte

Um dos pilares portadores de futuro do Sistema Social da Indústria (Sesi SC) são 17 escolas de ensino fundamental e médio, que adotam a metodologia STEAM, aprendizado reconhecido internacionalmente que inclui ciência, tecnologia, engenharia, arte e matemática.

A gestora cultural do Sesi SC, Carla Marcelino, destaca que há dois anos a instituição tem convênio com a Scar para incluir, gradualmente, o ensino da arte no contraturno das escolas.  

– Lançamos ano passado o projeto piloto em quatro escolas, oito turmas. Deu tão certo que este ano passamos para 12 escolas e 45 turmas. Nosso foco, agora, são aulas de música, teatro e dança – destaca Carla Marcelino.

Troca de experiências com festival de Lages

Além do programa educacional para ensinar música e arte em diversas cidades, a Scar também colabora com outros festivais de música, realizados em SC ou em outros estados. Um deles é o Festival Internacional Música na Serra, realizado desde 2011 pelo Instituto José Paschoal Baggio.

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– Temos parceria com a Scar há dois anos. Trocamos experiências, instrumentos, professores e bolsistas, além de adotarmos a metodologia de gestão deles – observa Edite Moraes, gerente do Instituto Baggio.

Segundo ela, o festival começou em 2011 com o objetivo de oferecer atração cultural para turistas que procuram o frio da Serra Catarinense no inverno. O evento também acontece com recursos de leis de incentivo, com a colaboração de empresas.

Referência em outros estados

O modelo de educação cultural com impacto no desenvolvimento social e econômico também inspira projetos em outros estados. Uma das lideranças que vieram conhecer o Festival Catarinense de Música (Femusc) nesta edição foi a empresária paulista Vicky Bloch.

– Sou consultora e estou trabalhando muito em conselhos de organizações pró-bono (sem fins lucrativos). Tenho interesse em ver como funciona essa organização porque eu atuo num instituto que trabalha com crianças, mas através da arte circense. Vejo uma lógica semelhante – explica a empresária.

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Segundo ela, a cultura desperta a autoestima de pessoas de regiões pobres e oferece oportunidades de inserção na sociedade de uma forma mais saudável.

Propósito de inclusão da Scar

Sociedade cultural que vai completar 70 anos em 2026, a Scar foca inclusão de todos, independente de renda. É isso que destaca o empresário Edson Schulz, que liderou a construção do Centro Cultural Scar, que tem entre os destaques um grande teatro com 946 lugares, inaugurado em 2003.  

– É bonito ver aqui na Scar, o ano todo, ônibus amarelos chegando com crianças de escolas públicas para fazerem cursos na área de cultura. A filosofia nossa foi construir um centro voltado para melhorar a educação, a cultura, para que os jovens e a cidade fossem melhores. Esse objetivo está sendo atingido – ressalta Edison Schulz.

A Scar é liderada por um conselho de administração que tem à frente, atualmente, o empresário Luis Hufenüssler Leigue. Para a gestão do dia a dia, tem a diretora executiva Edilma Lemanhê. O Femusc é realizado pelo Instituto Femusc, dirigido pela empresária Monika Conrads.

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