Início de ano é o período em que a maioria das pessoas faz promessas para mudar de vida. A coluna perguntou para a diretora regional do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida (CBMEV) e especialista em neurociência e comportamento, a psicóloga Fernanda Bornhausen, qual é a mensagem dela para o ano novo. A resposta foi: “a gente precisa trazer saúde para a vida toda”. Ela também destacou que a melhora do estilo de vida é essencial para empresas.
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Segundo Fernanda Bornhausen, é crescente o interesse pela medicina do estilo de vida (MEV) e essa é uma alternativa para empresas promoverem a saúde dos colaboradores. A adoção de hábitos saudáveis reduz custos com saúde suplementar, que é a segunda maior despesa das empesas, o que melhora o resultado final.
Para Fernanda Bornhausen, a aprovação da primeira lei brasileira com esse foco, a que institui a Semana Catarinense da Medicina do Estilo de Vida, e apresentação de projeto no Congresso Nacional, abrem oportunidades de avanços nas políticas públicas.
Saiba mais na entrevista a seguir, concedida logo após o último encontro presencial do Clube Sedo Farmácia da Mente, iniciativa da empresa fundada por Fernanda Bornhausen na área de medicina do estilo de vida.
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Veja imagens do encontro do Clube Sedo Farmácia da Mente:
Qual é a sua mensagem de ano novo considerando suas áreas de atuação como diretora regional do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida (CBMEV) e fundadora da empresa SEDO Farmácia da Mente?
– A mensagem que eu passo é a que eu me sensibilizei no Congresso Americano de Medicina do Estilo de Vida, que a gente precisa realmente trazer saúde para vida toda. Precisamos trabalhar muito menos com as doenças e muito mais com o poder que as pessoas têm sobre a saúde delas.
Como avalia o crescente interesse desse trabalho que vocês começaram a fazer aqui em Santa Catarina e também no Brasil, na área da Medicina do Estilo de Vida!
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– É um movimento que cresce muito aqui no Brasil e no mundo. E a gente tem visto resultados muito impactantes de pessoas que conseguem mudar seus comportamentos, inovar, fazer novas escolhas, experimentar e reverter doenças.
Entre as doenças que mais matam a humanidade estão a hipertensão, diabetes, síndrome metabólica. É uma escolha que hoje nós temos clareza que é possível fazer, a de mudar comportamento para superar ou evitar essas doenças. Então, vejo adesão cada vez maior porque uma pessoa vai contagiando a outra, e na hora que essas pessoas se contagiam, a gente leva para o mundo esse conhecimento.
Você pode dar um exemplo de melhora da saúde em função da mudança de estilo de vida
– Temos no nosso grupo, o SEDO Farmácia da Mente, 50 profissionais de saúde. Temos no Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida em Santa Catarina mais de 130 profissionais de saúde que já estão atuando nessa mesma linha. A gente tem, no Brasil, milhares de médicos e profissionais de saúde.
Então, como todo movimento de inovação, eu acredito que esse crescimento é exponencial. Daqui a pouco, a gente vai ter milhares de médicos, profissionais de saúde e milhares de pacientes, clientes e mentorados que vão acreditar que é possível que seu remédio vai estar na farmácia da sua mente e não na farmácia da esquina.
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Como o setor público está aderindo a esse trabalho na área da saúde?
– A gente fez um grande movimento aqui em Santa Catarina. O deputado Napoleão Bernardes fez a lei que estabelece a Semana Estadual da Medicina do Estilo de Vida. Isso é muito importante para política pública. Creio que a gente vai ter uma semana emblemática no Brasil aqui em maio. E aí a gente leva essa conscientização para a população.
A gente tem que começar pelas pessoas, levando o conhecimento de ponta de maneira simples e acessível. Sim, nós temos muita intenção de chegar às políticas públicas, estaduais e municipais com a informação e nessa semana, estabelecida por lei, vai ser mais fácil a gente sensibilizar os agentes públicos, os secretários de saúde, os prefeitos, os governantes.
Temos também o projeto de lei que está tramitando o Congresso Nacional, apresentado pela deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC) que propõe a criação da Semana Nacional da Medicina do Estilo de Vida. Isso tudo é de Santa Catarina. A gente espera que seja aprovado em breve. Então, é um movimento de política pública, um movimento de chegar direto nas pessoas, o que é imprescindível.
Os Estados Unidos vêm fazendo isso há 20 anos. Eles estão muito na nossa frente. E, mesmo assim, continuam com muitos problemas de doenças crônicas não transmissíveis. É muito grande o problema.
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E como as empresas podem participar e se beneficiar desse movimento que promove a saúde?
– As empresas são as áreas mais importantes no meu ponto de vista como empresária e como uma pessoa que trabalha com empresas há muito tempo. Isso porque a saúde suplementar está na segunda linha de despesa das empresas.
As pessoas estão doentes, a saúde mental é uma pandemia, e ninguém sabe mais o que fazer com isso, novas normas, novas leis. Então, a medicina do estilo de vida é essencial para endereçar essas questões que as empresas estão sentindo na sua produtividade, nos seus colaboradores, nos seus líderes.
Eu tenho feito muito trabalho com empresas, principalmente com C-Level e com a área de pessoas. Isso porque quando a gente leva essa mudança de comportamento, essa forma de encarar as doenças crônicas não transmissíveis, qualquer colaborador ou líder numa empresa que reverter uma doença crônica não transmissível, que prevenir, que controlar, isso mexe diretamente na última linha do balanço.
Você pode falar um pouco sobre os pilares da medicina do estilo de vida?
– Sim! Nós trabalhamos com 100 mil evidências de seis pilares. São 100 mil evidências científicas dos últimos 20 anos, em seis pilares: alimentação, sono, atividade física, manejo do estresse, conexões (relacionamentos sociais e interpessoais no trabalho, na vida familiar e na vida pessoal) e controle de substâncias tóxicas (incluindo álcool, drogas, cigarros, poluição, água e alimentos contaminados e cosméticos).
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