Audaciosa a iniciativa da Polícia Militar de fechar as fronteiras e divisas de Santa Catarina. A Operação Ferrolho, termo que significa trancar o ambiente, teve na quinta-feira um efeito que a sociedade tanto anseia: a sensação de segurança nas ruas, rodovias, rodoviárias e aeroportos. Uma pena ter durado somente 12 horas.

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Idealizador e executor da medida que mobilizou 1,5 mil policiais, com o apoio de policiais do Rio Grande do Sul e Paraná e da Polícia Rodoviária Federal, o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Araújo Gomes, pretende repeti-la ao menos uma vez por mês.

Gomes se baseia em um modelo anti-terror europeu e nos estudos locais de inteligência. De fato, quadrilhas dos Estados vizinhos praticam grandes e intimidadores roubos a bancos no interior de Santa Catarina. Há áudios de facções pedindo apoio de bases criminosas do Paraná, crescimento da apreensão de cigarros, do volume de drogas e da circulação de carros clonados.

A expectativa é reduzir os indicadores de violência. Resta saber se homicídios serão atingidos, pois as mortes violentas crescem assustadoramente na Capital, em Joinville e em outras oito cidades de médio porte.

No meio, há quem veja tom midiático ou de pirotecnia. Mas não é papel institucional da PM ir às ruas e fazer policiamento ostensivo, estar presente e proteger? Sim, só que toda a iniciativa que altere a monotonia que vinha castigando a área, acuada com a robusta expansão das facções criminosas, fatalmente gera perturbações.

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O secretário de Segurança, Alceu de Oliveira Pinto Júnior, confessa que se sentiu meio duvidoso quando ouviu de Gomes a proposta de fechar cerca de 300 pontos de acesso e travessias pelo Estado. Apostou e se disse empolgado com a experiência que servirá como estudo de caso no Brasil.

Um ponto não tanto destacado, mas fundamental no momento é o efeito de motivação aos policiais. Mas é preciso muito mais para que as respostas se solidifiquem. No litoral, principalmente, há lugares usados como esconderijos para líderes do crime organizado e daí a importância da colaboração da sociedade por meio dos disque-denúncias. Investir paralelamente nas ações de inteligência e na investigação são essenciais e aí o papel da Polícia Civil – ao menos aparentemente ela não participou da Ferrolho.

Há quem entenda que um policial civil de cada região que tivesse se juntado aos militares já ajudaria a fortalecer o espírito de integração. No balanço das ações, o delegado-geral Marcos Ghizoni esteve presente. Garantiu frentes de apuração para identificar novas rotas de entrada de armas, o que avalia que acontece de “maneira assustadora e estrondosa”.