O caminho do tráfico quase sempre é marcado por um fim trágico. São comuns histórias de vidas perdidas ou sacrificadas a qualquer preço pelo mundo criminoso que cerca as drogas.

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No documentário "Curumim, o homem que queria voar", do produtor e diretor Marcos Prado, de 2016, isso fica bem claro. Curumim, para quem não lembra, era o apelido de Marco Archer, o primeiro brasileiro a ser executado por um outro país em razão do tráfico de drogas.

Archer foi fuzilado aos 53 anos por soldados do Exército da Indonésia no dia 17 de janeiro de 2015. Ele havia sido condenado à pena de morte por entrar na Indonésia com 13 quilos de cocaína escondidos em uma asa delta, em 2003.

Carioca de classe média, aventureiro, popular, Curumim viveu por décadas uma vida de fantasias e ilusão gerada pelo tráfico. Esportes radicais, drogas, viagens, mulheres, farras, amigos, badalações. Para garantir tudo isso, vendia pó para usuários da elite do Rio de Janeiro.

A sua morte aconteceu justamente no país de Bali, o paraíso mundial do surfe. Até à execução, Archer ficou praticamente 12 anos no corredor da morte e parte desse tempo foi registrado por ele mesmo com uma câmera dentro da prisão, além de conversar por telefone com o produtor. Uma agonia lenta. Até dias antes, acreditava que seria possível reverter a morte, mas no fundo sabia que o seu destino estava traçado.

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Um outro brasileiro também foi morto desta forma na Indonésia: o paranaense Rodrigo Goularte, flagrado com seis quilos de cocaína em pranchas de surfe no aeroporto local, em 2004. A execução de Gularte também foi em 2015, mas em abril, depois da de Archer. Os dois dividiram anos de cela.

Curiosamente, ambos também tiveram prisão decretada em Santa Catarina por causa do tráfico de drogas investigado na Operação Playboy – Gularte morou em Florianópolis.

Mas que exemplo essas trágicas narrativas podem trazer? Que a sociedade precisa discutir o assunto das drogas.

A reflexão, a educação, o senso de não cometer crimes precisam ser encarados por todos. Que o digam jovens catarinenses recrutados agora por aliciadores, cujo futuro se encontra incerto.

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