Funcionário há três meses, o assistente Bruno Siqueira, 21 anos, costumava ajudar o piloto a abrir e fechar as portas da aeronave. Raramente voava junto. Na tarde de quinta-feira, para surpresa de conhecidos dele que trabalham em volta, Bruno entrou na aeronave, na frente do parque Beto Carrero  World, em Penha, litoral norte, e não retornou mais.

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Na manhã desta sexta-feira, o escritório e o hangar da empresa Avalon, ao lado de onde o helicóptero costumava ficar à espera de clientes para vôos panorâmicos na região, estavam com as portas fechadas. Não havia nenhum colega de Bruno no local ou quem pudesse explicar os momentos antes da queda do helicóptero em Joinville.

Pessoas que ficam diariamente pela região e o conheciam afirmam que a aeronave saiu do heliponto por volta das 15h30min. Entraram o piloto, Antônio Aguiar, 57 anos, considerado bastante experiente, dois homens que haviam contratado o vôo por R$ 3,1 mil e Bruno. Todos caminhavam normalmente e aparentavam tranquilidade.

– Não sabemos porque ele foi junto, não era co-piloto e geralmente ficava aqui. Pode ter sido em razão de ter visto eles (sequestradores) e já aqui mesmo foi obrigado a ir junto – suspeita um trabalhador de outra empresa prestadora de serviço do parque.

Segundo a reportagem apurou no local, os homens que contrataram o vôo chegaram como clientes em um veículo que seria um Honda Civic. Além dos dois que embarcaram haveria ao menos uma outra pessoa que não foi junto e saiu do local assim que a helicóptero decolou. Há câmeras de segurança no lado de fora do parque e dentro do escritório da Avalon.

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A assessoria do Beto Carrero informou que as imagens do circuito externo foram repassadas à polícia ainda na quinta-feira, mas não as divulgou nem permitiu a visualização. A empresa presta serviço há oito anos, sendo duas rotas: a do sol e do mar.

Um outro detalhe chama a atenção ao redor do parque: o helicóptero costumava fazer o trajeto por pontos próximos e raramente saía na direção ao norte como aconteceu. Essa posição inicial já levanta suspeitas de que o sequestro possa ter se iniciado assim que houve a decolagem.

A hipótese de que seria usada para o resgate de um preso na penitenciária de Joinville está sendo investigada pela Polícia Federal.

Choque e tristeza

Familiares disseram à reportagem que Bruno trabalhava havia apenas três meses na empresa e estaria ao final do contrato. Eles não quiseram dar entrevistas nem prolongar a conversa. O clima, naturalmente, é de choque e tristeza. O rapaz morava no bairro Gravatá, que fica nas proximidades do emprego.

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– Pensa em um rapaz bom? Era o Bruno – disse um amigo da família, destacando que eventualmente, em vôos panorâmicos rápidos o funcionário também ia junto.

– Mas nunca foi tão longe assim – comentou o amigo.

O piloto Antônio Aguiar é descrito pela larga experiência em vôos e o comportamento familiar. Ele não era da Santa Catarina. O carro dele, com placas de Curitiba, permanecia pela manhã estacionado no Beto Carrero.

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