Em pinguelas, trilhas, rios, estradas de chão batido e lugares às vezes no “meio do nada”. Assim estão os pontos de divisas e fronteiras de Santa Catarina que costumam ser utilizados pelo crime organizado. Mais de 300 foram mapeados pela Polícia Militar na ação de fiscalização que busca evitar a entrada de armas, drogas e produtos ilegais.

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O trabalho do setor de inteligência da PM levou três meses para ser concluído. O resultado serviu para a base de atuação da Operação Ferrolho, deflagrada na quinta-feira, que trancou o Estado durante 12 horas.

A dimensão por terra e mar é uma das dificuldades. Santa Catarina faz divisa com o Paraná ao Norte, Rio Grande do Sul ao Sul e fronteira com a Argentina no Oeste. Sem contar os 450 quilômetros de costa oceânica.

As imagens feitas pela PM na mobilização mostram lugares com ar pacatos e de calmaria. Mas nem sempre são assim. Há horários e dias em que criminosos aproveitam para fazer a travessia com produtos ilegais como cigarros, o rei do contrabando vindo do Paraguai, além de drogas ou veículos furtados e roubados. Ou também para fugir da fiscalização nas rodovias mais visadas.

O desafio de patrulhar a área esbarra na dificuldade de efetivo das polícias, como a Rodoviária Federal e a Federal, em Dionísio Cerqueira, na fronteira com a cidade argentina de Bernardo de Irigoyen. A suspeita das autoridades é que ali seja rota de entrada de armas para o Estado.

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A PM defende maior controle nesses espaços para diminuir a criminalidade nos três Estados do Sul, conforme destacou o comandante-geral da PM, coronel Araújo Gomes. Já a Polícia Civil afirma que vai investigar as rotas.

O cerco aos pontos também foi um gesto de preocupação com a migração de criminosos do Rio de Janeiro a partir da intervenção federal naquele Estado, embora oficialmente as autoridades tenham negado.

Durante a videoconferência na entrevista coletiva da Operação Ferrolho, os comandos da Brigada Militar e da Secretaria de Segurança Pública do RS e da PM do Paraná pontuaram essa apreensão específica. Eles ressaltaram a necessidade da integração para o controle e o diagnóstico das vulnerabilidades.

– Com o tamanho das nossas fronteiras, dificilmente uma polícia, isoladamente, conseguiria dar conta de trancar, bloquear, blindar e isolar todos os pontos necessários – reconheceu o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Andreis Silvio Dal´Lago.

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