Um técnico de futebol português, terceiro escalão na Europa, vem trabalhar em nossos gramados. Chega ao Flamengo, muita gente o recebe de forma desconfiada (torcedores, jornalistas, jogadores, diretores do próprio clube). “Afinal, o que esse cara veio fazer aqui?”, se perguntam. Em pouco tempo ele faz tremendo sucesso. Aí vêm a inveja e a raivinha. Aí se revela o pior do ser humano.

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Jorge Jesus, o português, não é bobo.

Ressabiado, percebe o movimento ensimesmado de colegas brasileiros de profissão. E desabafa, sem tomar o devido cuidado com os generalismos: “Não vim tirar lugar de ninguém. Não vim ensinar a ninguém. Não entendo essas mentes fechadas. Não sabem o que é globalização.”  

Ainda no mundo do esporte, atletas negros sofrem por todos os lados. Na Itália, na Rússia, na Ucrânia, na Argentina, no Uruguai, no Brasil. A ignorância é globalizada e invade vários outros campos – até mesmo universidades, lugar sagrado para a diversidade de ideias e liberdade de opiniões. Estudantes brasileiros sofreram, recentemente, preconceito no campus da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Neste ano nossos conterrâneos receberam, com agressividade, venezuelanos que fugiam da fome e do caos. E segue o jogo.

Morei alguns anos em Nova York. A cidade estava ainda abalada pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Enquanto Bush filho atropelava a ONU e ordenava ataques ao Afeganistão e ao Iraque, os novaiorquinos assumiram outra postura: se mostraram solidários, humanitários.

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Sempre fui um estrangeiro na maior metrópole do mundo, mas nunca me senti perseguido, desrespeitado, humilhado. (Talvez, neste momento, as coisas sejam outras, com Donald Trump na Casa Branca.) Na aspereza daquela selva de pedra aprendi muito sobre generosidade.

Todos os tipos de intolerância foram combatidos por Madonna. Provocadora, destemida, revolucionária, a popstar quebra tabus e rompe padrões de comportamento. Para ela, “a razão pela qual sexismo, racismo, homofobia existem é o medo. As pessoas têm medo de seus próprios sentimentos, medo do desconhecido.”

É exatamente isso o que o português Jorge Jesus provoca em alguns colegas brasileiros. Talvez eles não saibam, realmente, o que é a globalização. Talvez não saibam, também, que agem como xenófobos. Em vez de procurar entender os méritos do outro, engrossam a onda reacionária que consome o mundo. Em vez de respeitar e tentar aprender algo novo de uma cultura diferente, se apequenam no mar poluído por preconceitos e corporativismos.

E assim o mundo segue.

Belezas da Serra

Serra
(Foto: Cíntia Araium/Arquivo Pessoal)

Foram seis horas de caminhada. Sol forte, sobe e desce, pernas enfiadas nas turfeiras, paradas estratégicas para recuperar o fôlego e as forças. Tudo para chegar, o mais perto possível, da beleza do Cânion do Funil. E ali descobrimos que a vida vale a pena. E descobrimos a dimensão de como somos pequenos em nossa finitude.

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Paz e amor

Nelson Mandela passou 27 anos preso numa África do Sul dominada por brancos. Ao sair da cadeia, pregou a união, lutou pela liberdade, pela democracia, pelo fim do preconceito racial em seu país. “Eu odeio o racismo, pois o considero uma coisa selvagem, venha ele de um negro ou de um branco”, disse Mandela em sua inegociável batalha pela paz e pela justiça. 

Viva a cultura!

Tem livro novo de Chico Buarque nas livrarias. “Essa gente” (Companhia das Letras) parece simples, mas é rebuscado como as letras mais bonitas do compositor. É um livro atual, sobre o Brasil, seus preconceitos e mazelas morais. Leitura bacana para o fim de ano.

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