Foram seis horas no nirvana. Valiosas seis horas distante da vida ordinária, de pedidos esdrúxulos, mimimis, sem ler mensagens e ver memes e GIFs idiotas. Seis horas falando pessoalmente com colegas da empresa e, algumas vezes, por telefone (sim, o telefone existe e funciona). Seis horas vivendo no paraíso, sem Instagram, nem Facebook. Foi uma paz ficar sem o zap (com palíndromo, por favor).

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Calma, serenidade, equilíbrio, tranquilidade, quietude, remanso, repouso, silêncio, sossego. Tudo isso senti nessas seis horas da última segunda-feira. Amigos conseguiram atacar livros inteiros, outros assistiram a séries na televisão, alguns conseguiram concluir trabalhos e teses e entregá-los em tempo hábil. Milagres do inesquecível 4 de outubro de 2021, que mexeu com a vida de bilhões de usuários em todo o mundo e expôs o vício e a dependência das redes sociais.

O pobre-coitado Mark Zuckerberg perdeu alguma mufunfa, alegou que o Facebook não pensa apenas no lucro e que a plataforma está preocupada, sim, com os usuários (principalmente os jovens). Hoje, nem mentiras sinceras interessam mais. Isso tudo logo depois de Frances Haugen, ex-funcionária da empresa, ter revelado, com fartura de documentos, que a rede demonstra incansavelmente a preferência pelo dinheiro acima da segurança. O estrago estava feito. 

Todos conhecemos as vantagens que as redes sociais nos oferecem diariamente. Todos reconhecemos, também, os perigos que trazem. Disseminação de ataques pessoais, desinformação e injúrias, propagação de notícias falsas, assédios, exposição pública, déficit de atenção, risco da baixa estima, manipulação de emoções e comportamentos, e segue o baile.

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No livro “Dez Argumentos Para Você Deletar Agora Suas Redes Sociais”, Jaron Lanier afirma que, se removê-las é algo inviável no mundo da tecnologia da informação, conhecer suas armadilhas permite usá-las de forma mais segura (“O Dilema das Redes”, filme da Netflix, também ajuda a entender esses perigos). “As redes sociais estão tornando você um babaca”, disse recentemente Lanier, um dos maiores especialistas na área da realidade virtual. 

As discussões sobre benefícios e ameaças das redes sociais em nosso cotidiano são intermináveis, com impactos positivos e negativos sobre pessoas e comunidades. Mas o Dia do Caladão será eternamente lembrado como um dia de liberdade, independência, soberania e emancipação plenas. Viva o Caladão!

Pra refletir!

Mais uma de Jaron Lanier:

Temo que estejamos começando a mudar para nos adequarmos a modelos digitais de nós mesmos, e me preocupo que possamos perder empatia e humanidade neste processo.

Da poeta polonesa Wislawa Szymborska:

A poesia, como toda a literatura, retira suas forças vitais do mundo em que vivemos, das experiências realmente sofridas e dos pensamentos que nós mesmos pensamos.

Da ministra de Saúde de Portugal, Marta Temido. Lá, 85% da população estão completamente vacinados contra a Covid-19:

O aspecto mais importante foi a adesão dos portugueses, a tradição de confiança nas autoridades de saúde e num plano de vacinação que sempre teve como base a melhor evidência científica.

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