E ainda discutimos a desorientação e a falta de ações coordenadas para combater o vírus.

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Um ano de pandemia – continuamos falando de remédios e tratamentos sem qualquer eficácia comprovada pelos cientistas. Um ano de pandemia – segue o festival de incompetência e arrogância de secretários da saúde, prefeitos, governadores e seus bajuladores. Um ano de pandemia – negacionistas prosseguem tentando boicotar a ciência.

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Um ano de pandemia – idiotas fazem festinhas, não respeitam o distanciamento, se aglomeram por todos os lados. Um ano de pandemia – imbecis negam-se a usar a máscara e ameaçam quem quer usá-la. Um ano de pandemia – ainda nos assustamos com a desumanidade que vem do Palácio do Planalto.

Um ano de pandemia – temos um trapalhão como ministro da Saúde. Um ano de pandemia – daqui a pouco bateremos 300 mil mortes em todo o país. Um ano de pandemia – lutamos para manter a esperança, enquanto a vacina não chega. Um ano de pandemia – e não temos um plano nacional de imunização.

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Um ano de pandemia – ainda nos surpreendemos com as irresponsabilidades que vêm do sujeito que deveria liderar a luta contra o vírus funesto. Um ano de pandemia – brasileiros lutam por oxigênio e morrem sem ele. Um ano de pandemia – brasileiros lutam por leito e morrem sem ele. Um ano de pandemia – brasileiros lutam por respeito e morrem sem ele.

Um ano de pandemia – brasileiros lutam por dignidade e morrem sem ela. Um ano de pandemia – brasileiros se encontram no corredor da morte. Um ano de pandemia – rezamos e choramos nossos amigos, nossos filhos e nossos pais que se vão sem despedida. Um ano de pandemia – ainda nos espantamos com a inépcia, o deboche odioso e a ignorância do presidente e seus bajuladores.

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Um ano de pandemia – somos um péssimo exemplo para o mundo. Um ano de pandemia – acompanhamos o sabotador maior mentir, tergiversar, pregar contra as medidas de restrição. Um ano de pandemia – ouvimos o sabotador maior incentivar campanhas de desinformação e notícias falsas.

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Um ano de pandemia – vemos o sabotador maior desprezar seu povo, desprezar seus mortos. Um ano de pandemia – toleramos o sabotador maior defender o caos em detrimento da vida. Um ano de pandemia – sonhamos com nosso velho-novo normal.

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Um ano de pandemia – obrigado, médicos e enfermeiros. Um ano de pandemia – obrigado, cientistas. Um ano de pandemia – obrigado, gente que ama e quer a vida. Um ano de pandemia – vamos manter a força, a saúde mental, o espírito elevado, a generosidade, a solidariedade, o senso de coletividade, a responsabilidade, o respeito, o amor, a esperança.

Ainda temos a chance de mostrar que o humanismo vale a pena.

Para refletir:

Do escritor Salman Rushdie:

Quando o culto se fragmenta, não se pode remontá-lo. Quando o culto se revela como fake, não consegue voltar ao pedestal.

Do escritor J. M. Coetzee:

Está fixo, estabelecido. O crânio, depois o temperamento: as duas partes mais duras do corpo.

Do economista e mestre em filosofia Joel Pinheiro da Fonseca:

A desonestidade é sempre ruim, mas em momentos de calamidade, nos quais uma crença equivocada pode levar a milhares de mortes, torna-se intolerável.

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Do escritor Primo levi:

Nada pode ser dito: nada certo, nada provável, nada honesto.

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