A decisão da Feira do Livro de Jaraguá do Sul, de cortar a jornalista Miriam Leitão e o sociólogo Sérgio Abranches da edição deste ano, revela a face do terceiro turno eleitoral em que ainda estamos mergulhados.

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Num lado da cédula, o ódio, a ignorância e a intolerância. No outro, a argumentação, a serenidade e o respeito. Se esgoelando nas redes sociais (cada vez mais maléficas ao ser humano), os defensores do primeiro lado levam vantagem. 

O espaço para a discussão saudável se dissipa. Ouvir, debater e replicar quase não faz mais sentido. Mais importante é postar agressões, disseminar loucuras e paranoias, proferir ofensas e mentiras. Não importam ideologias. Nada importa. Só importa gritar mais alto.

Voltemos ao descortês desconvite a Miriam Leitão e a Sérgio Abranches. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso lamentou e considerou “inaceitável”. Já o empresário Luciano Hang comemorou e disse que os brasileiros não aguentam mais “abobrinhas”. Isso é democracia, liberdade de expressão, diversidade. 

Mas tente ver os comentários nas redes sociais. São assustadores. Não há filtro, equilíbrio, moderação. Postam-se as maiores aberrações possíveis, compartilham-se discriminadamente. E, pronto, o estrago está feito. (Me nego a comentar os danos à Língua Portuguesa, tão maltratada ultimamente.)

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Quanto a mim, não me considero de esquerda, nem de direita, muito menos de centro. Luto para manter alguma habilidade, lucidez e um pouco de humor para seguir em meio a tanta balbúrdia.

Em tempos de brutalismo, não consigo esconder inveja de Ney Matogrosso, que na Feira do Livro de Paraty disse: “Neste momento, um enorme retrocesso ocupa o espaço maior, né? Mas o mundo não acabou. E essa situação vai passar. Tudo é transitório, não há nada estático nesse universo.”

Por favor, caro Ney, me empreste um pouco de sua resistência e de seu otimismo.

Tem vaga na Islândia?

Na cozinha sou o rei do thorramatur, comida tradicional dos islandeses que leva carne podre de tubarão, testículos de ovelha e por aí vai…

Acho que já posso me candidatar a embaixador na simpática e bonita Reykjavik.

O poder da leitura

Tiro certeiro do escritor argentino Alberto Manguel: “Ler sempre é um ato de poder. E é uma das razões pelas quais o leitor é temido em quase todas as sociedades”.

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VAR, Brasil

O futebol brasileiro está levando o árbitro de vídeo à total desmoralização. Logo ele, criado para trazer mais justiça aos jogos. 

Árbitros e bandeirinhas usam o VAR como bengala; jogadores e técnicos não têm paciência nem educação para aguardar as decisões; e os torcedores estão desaprendendo a torcer.