O título desta coluna remete a um livro do filósofo espanhol Sêneca. Foi em Sêneca que, neste período esquizofrênico e perigoso, busquei serenidade, conforto, quietude, tranquilidade, prudência, calma, paz. Algumas vezes encontrei um pouco disso tudo. Outras vezes, nada. Assim é a vida.

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Sêneca nasceu em Córdoba e morreu em Roma. Foi um dos mais célebres advogados, escritores e intelectuais do Império Romano. Com alguns dos pensamentos de Sêneca, me despeço para um merecido ócio e deixo as leitoras e os leitores também em paz por algum tempo.

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Volto em janeiro. Boas festas a todos!

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Para que incontáveis livros e bibliotecas se o dono, durante toda a sua vida, mal pôde ler os títulos? A quantidade sobrecarrega quem está aprendendo, não o instrui, e vale muito mais entregar-se a poucos autores do que vaguear por muitos.

Olhe alegre para a sua condição e não interrompa esse contentamento, mas permaneça num estado plácido, sem jamais exaltar-se ou deprimir-se: isso será a tranquilidade.

Os talentos forçados respondem mal; quando a natureza resiste, o esforço é vão.

O melhor limite para o dinheiro é aquele em que nem nos deixa cair na pobreza, nem da pobreza nos distancia.

É mais tolerável e mais fácil não adquirir do que perder.

Todos estamos atados à fortuna. Para uns a corrente é de ouro e frouxa, para outros, apertada e encardida.

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Toda vida é uma escravidão. É preciso acostumar-se à sua condição, queixar-se dela o mínimo possível e agarrar toda vantagem que ela tenha em torno de si.

Tudo deve ter sua importância reduzida e ser tolerado com benevolência.

É mais humano rir-se da vida do que deplorá-la.

É essencial distinguir a vida simples da displicente.

 

É preciso mesclar e alternar essas duas coisas: a solidão e o contato social. Aquela nos fará ter saudade dos outros, esta, de nós.

É preciso dar repouso a nossas almas: descansadas, elas surgem melhores e mais ativas.

Devemos ser complacentes com nossa alma e de tempos em tempos conceder-lhe o ócio pra que lhe sirva de alimento e energia.

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Brevíssima e demasiado angustiosa é a vida daqueles que se esquecem do passado, negligenciam o presente e temem o futuro.

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