Lembro como se fosse ontem de minha primeira professora. Em sua modesta casa, espécie de creche com um quintal arborizado (havia pitangueiras, mangueiras, goiabeiras), ela alfabetizava crianças de uma região classe média-baixa do Rio de Janeiro. Paciente, gentil, alegre, lúdica. Enquanto aprendíamos a ler e escrever, nos divertíamos com as brincadeiras propostas por ela, num ambiente de harmonia, afeto e encantamento.
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Graças à Tia Lourdes comecei a entender a importância da educação num país miserável e fortemente marcado por diferenças sociais e preconceitos, como até hoje é o Brasil. Para onde vou, hoje sessentão, carrego Tia Lourdes em minhas memórias e em meu coração.
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P elo olhar da mocidade, sou um velho. Ainda tenho Facebook – sou mesmo um velho. Foi neste instrumento de mídia social que me deparei, terça-feira passada às 9h30min, com duas cenas que marcaram minha semana.
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Na primeira, uma mulher branca, em cólera, ataca um rapaz negro em plena rua. Entre injúrias e insultos preconceituosos, ela chega a usar a guia do cachorro para agredir o homem – como se ela fosse uma sinhá e ele, um escravo. Que cena ultrajante, retrato de um país racista.
No outro vídeo, o roqueiro Leo Jaime, aos 62 anos, aparece aprendendo a dançar balé numa academia da Zona Sul carioca. Leo fez parte do grupo João Penca e Seus Miquinhos Amestrados. E quem não dançou em sucessos como “Rock Estrela”, “Conquistador Barato”, “A Vida Não Presta”, “Nada Mudou”, “Amor Colegial”, “As Sete Vampiras”? Leo Jaime nos passos sutis e elegantes do balé – que imagem deslumbrante em meio a desesperança.
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Ofício que agarrei e defenderei até os últimos suspiros, devido à essencial importância para os seres humanos, o jornalismo é dinâmico, se renova, segue as mudanças da vida. Dessa forma se torna cada vez mais responsável, profissional e ético.
A tragédia de Blumenau provocou discussões. Estudos comprovam que a notoriedade dada pela mídia a criminosos incentiva outros massacres. Tempos atrás não era incomum traçarmos perfis de assassinos e entrevistarmos traficantes. Os tempos mudaram (para muito melhor).
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Hoje ignoramos criminosos e seus passados – e isso em nada atrapalha a objetividade jornalística. Hoje ampliamos a discussão sobre segurança pública. Hoje valorizamos as vítimas, os heróis de verdade, os socorristas e os sobreviventes como prioridade.
O recado é claro: vocês não ficarão famosos pelas atrocidades e barbaridades que cometem.
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Ted Lasso é uma série engraçada. Uma empresária contrata um técnico de futebol americano para dirigir o Richmond, inexpressivo time de futebol da Inglaterra. Tudo por vingança. A ideia é levar o Richmond ao ridículo. Ted Lasso aceita o desafio – mesmo sem entender sequer uma regra do “soccer”.
Carismático, irônico, otimista, bastante inocente e um pouco patético, ele vira o jogo. O Richmond consegue ótimos resultados, alcança voos inesperados que chocam a venenosa imprensa esportiva britânica. Para domar e conquistar seus craques, usa frases motivacionais como: “O sucesso não é sobre as vitórias e derrotas. É sobre ajudar esses jovens a serem as melhores versões de si mesmos dentro e fora de campo”. Realmente patético.
Em sua terceira e última temporada, “Ted Lasso” é um santo remédio para melhorar o humor do sujeito mais macambúzio do planeta. Com seu olhar humano sobre um mundo tomado por ambições, armadilhas da fama e muito dinheiro, a série vai fazer muita falta.
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Pra refletir:
“A educação exige os maiores cuidados, porque influi sobre toda a vida.”
Sêneca, filósofo
“É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade.”
Immanuel Kant, filósofo
“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.”
Nelson Mandela, líder sul-africano
“A educação do homem começa no momento do seu nascimento; antes de falar, antes de entender, já se instrui.”
Jean Jaques Rousseau, filósofo
“Inteligência e caráter: eis o objetivo da verdadeira educação.”
Martin Luther King, líder americanoContinua depois da publicidade
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