O cantor e compositor australiano Nick Cave faz sucesso, há décadas, com a banda Bad Seeds. Em 2015 ele perdeu um filho. Arthur, de 15 anos, caiu de um penhasco, na Inglaterra, depois de uma viagem com ácido lisérgico. O luto de Cave aparece publicamente agora, no disco “Ghosteen”.

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Fere, corta, machuca, sangra. Faz pensar em todos os gêneros do luto, no ritmo com que cada um de nós o encara – e o vence, quando isso é possível. O luto pela morte de um parente, o luto pelo ocaso de um amor, o luto pela perda de um emprego, o luto pela despedida de um animal de estimação. “É um longo caminho para encontrar a paz de espírito”, canta Cave.

Em toda a sua sincera e vulnerável dor, Cave chega a citar Buda no disco. E foi Buda quem disse: “Em nossas vidas, a mudança é inevitável. A perda é inevitável. A felicidade reside na nossa adaptabilidade em sobreviver a tudo de ruim”.

Para casos de mortes, a psiquiatra suíça Elizabeth Kubler-Ross dividiu o luto em cinco fases, que não necessariamente ocorrem nesta sequência: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Reduzindo a famosa tese de Kubler-Ross, negar é tentar afastar a realidade que dói, agir como se nada tivesse acontecido. Na raiva encontra-se a busca por um responsável pela dor. Barganhar é tentar negociar com o destino, ainda acreditar que ele poderia ter sido diferente. A depressão faz reconhecer as limitações humanas, com desesperança e amargura. E finalmente chega a aceitação que nos torna capazes de levantar a cabeça e ver a luz no fim do escuro túnel.

Todas essas etapas podem nos afetar diante de outras frustrações até mesmo banais. É preciso respeitar o movimento do luto, é preciso entendê-lo. “Não é preciso acelerar o recompromisso com a nova realidade. Não se pode lutar contra sentimentos que são legítimos nesse processo”, afirma Cristina Fortes, diretora no Rio de Janeiro da Lee Hecht Harrison, empresa de consultoria de desenvolvimento de carreira.

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“É um longo caminho para encontrar a paz de espírito”, ensina Nick Cave em toda encantamento e intensidade de “Ghosteen”. Ouvi-lo ajuda a entender como somos frágeis em nossa finitude.

Pamonha, pamonha

Invariavelmente o Brasil me faz lembrar algo de minha infância e adolescência. Pelas ruas do bairro classe média-baixa do Rio, o vendedor passava com seu carrinho apregoando o produto: “Pamonha, pamonha, pamonha…”.

Aí vêm o peixe esperto que foge do óleo, a ameaça totalitária do AI-5, Jesus na goiabeira… E muitas vezes é assim que me sinto hoje: um pamonha.

Escrever, viver

“Devoção”, livro recém-lançado da cantora e compositora americana Patti Smith, é uma pequena obra-prima. “Por que escrevemos? Irrompe um coro. Porque não podemos somente viver”, ela pergunta e responde. Simples assim.

Dúvidas, medos

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De David Nemer, professor e pesquisador da Universidade de Virgínia (EUA): “As fake news são totalmente ilegítimas, porque o objetivo delas é desestabilizar o conhecimento, desestruturar, criar sentimentos de dúvida, sentimentos de medo para que a pessoa vote desinformada, no medo, sem segurança”.

Para Nemer, as eleições de 2020 serão dominadas pelas notícias falsas e pelas campanhas de desinformação nas redes sociais. Todo o cuidado será pouco.

Equilíbrio, desequilíbrio

De Tostão, campeão mundial em 1970 e hoje colunista esportivo: “O ser humano, mesmo quando não percebe, vive em conflito permanente, entre a ambição e a razão, entre o equilíbrio e o desequilíbrio, entre o sonho e a realidade. Vive em um instável equilíbrio ou em um estável desequilíbrio”.

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