No mundo de mais de um milhão de mortes provocadas pela Covid-19, temos o brasil caminhando para os 150 mil óbitos. O brasil com a espetacularização quase diária da incivilidade, do desrespeito, da desumanidade, dos egoísmos, da bagunça, dos desgovernos. O brasil com b minúsculo.

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Esta semana o escritor americano de origem dominicana Juno Díaz escreveu: “Apesar daquilo que alguns dos nossos líderes idiotas querem que acreditemos, a Covid-19 não é um teste com autoavaliação em que você pode se dar um 10, ou uma gripezinha da qual você se livra com um pouco de líquido e uma oração. A Covid-19 é um apocalipse”.

> Os idiotas somos todos nós

São mais de um milhão de mortos em nove meses. Um desastre que revelou, abertamente, a ineficiência de sistemas de saúde, a desunião, a falta de estratégia e a negligência de governantes, a vaidade, a insanidade e a insensatez dos cidadãos – se é que podemos classificar muitos deles de “cidadãos”.

Como seria mais fácil escrever sobre o barraco de ricos ignorantes, numa rua metida à besta do Rio de Janeiro, do qual saiu uma frase lapidar: “Infelizmente nós vivemos numa sociedade”. Oi?!

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> Os idiotas somos todos nós (2)

Como seria mais gostoso escrever sobre outro barraco, o de milionários jecas num restaurante metido à besta de São Paulo, do qual saíram duas frases que personificam o horror: “Vou ligar para o meu delegado” e “Tenho berço, com educação americana e europeia”. Oi?!?!

Nessas duas escaramuças, apenas os garçons e os guardadores de carro usavam máscaras. Chocados e protegidos, eles assistiam àqueles shows de descalabros. Seria divertido se tudo isso não fosse o retrato fiel deste brasil com b minúsculo.

> O que ainda não sabemos

O romancista austríaco Robert Musil, autor do maravilhoso “O homem sem qualidades”, foi certeiro ao alvo: “Se a estupidez não fosse tão parecida, a ponto de confundir-se, com o progresso, o talento, a esperança ou a melhora, ninguém desejaria ser estúpido”. Isso foi escrito por Musil no ano da graça de 1931.

O coronavírus continua por aí. Não é mais novo. Mas ainda é desconhecido e implacável. A estupidez também continua por aí, por todos os cantos, marcadamente manifestada pelos adeptos do farinha-pouca-meu-pirão-primeiro. Uma poderosa parte deste ordinário brasil que a pandemia fez sair dos esgotos, o brasil do individualismo contra o bem-estar coletivo. O brasil dos siqueirinhas, das carteiradas, dos bajuladores, das humilhações, dos reducionismos, dos negacionistas.

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> TSE anuncia parcerias com Twitter e TikTok para combater desinformação

Enquanto isso a boiada descaradamente passa, corroendo instituições, ameaçando a democracia, destruindo a Amazônia, derretendo o Pantanal, queimando sonhos, dizimando famílias. Lá em cima daquele morro passa o boi, passa a vaca, passa a boiada…

Preço do isolamento

Derrota atrás de derrota, abalo atrás de abalo. A situação do governador Carlos Moisés torna-se insustentável. E o que mais causa estranheza: ele foi eleito com mais de 70% dos votos, dois anos atrás, e não há sequer uma reação espontânea a seu favor. É como se nada estivesse acontecendo em Santa Catarina. 

O preço do isolamento é bastante alto.

> Edição impressa semanal destaca o futuro político do governador

Espetáculo deprimente

O primeiro debate entre o republicano Donald Trump e o democrata Joe Biden foi um espetáculo deprimente e caótico. Xingamentos, deboches, atropelos, ofensas, mentiras, desinformações. Ambos, Trump e Biden, se mostraram completamente despreparados para ocupar a Casa Branca num dos momentos mais traumáticos para todo o mundo. 

Russos e chineses devem estar adorando.

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