Banquei o paulistano, fui buscar a namorada e aproveitei para passear pelo aeroporto de Florianópolis. Percebe-se orgulho no semblante das pessoas. Elas andam sorridentes pelos saguões do recém-inaugurado terminal do Hercílio Luz. Amplo, iluminado, limpo, confortável, bonito, funcional, tudo me fez sentir num comercial bonito de TV. O novo terminal é quase um luxo. Nem tudo são flores, a área de táxis e transporte por aplicativo está uma bagunça.
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Enquanto caminhava e observava a honra de catarinenses e turistas, me veio um misto de sentimentos. Estava feliz por ver as instalações modernas. Mas senti alguma vergonha também.
Como pôde uma cidade como Florianópolis e um Estado como Santa Catarina, com tão potentes vocações turísticas e para negócios, terem convivido por tanto tempo com aquele antigo terminal acanhado e indecente? Estou usando adjetivos para tentar ser polido. Aquilo era quase um lixo.
Florianópolis me faz lembrar Berlim. Umas das cidades mais interessantes do mundo, Berlim tem um aeroporto que é motivo de chacota nacional. O Tegel é tão ruim quanto o velho Hercílio Luz. Um desastre. Para piorar, o novo aeroporto da capital da Alemanha, cuja inauguração estava prevista para 2011, deverá abrir em 2020 – e de forma improvisada, com apenas um terminal. A velha eficiência alemã virou piada na Europa. O “aeroporto fantasma”, como se diz por lá, tornou-se objeto do ridículo.
Voltemos ao Sul do Brasil, onde a eficiência e a pontualidade suíças se revelaram inabaláveis. Espera-se que cheguem pelo Hercílio Luz, anualmente, oito milhões de pessoas. E espera-se também, das autoridades e dos empresários, que construam (e entreguem) estruturas para que essa gente toda tenha mobilidade urbana, boas acomodações, restaurantes com preços atrativos, praias despoluídas. Aí as coisas farão sentido.
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O título desta coluna remete ao livro mais famoso de Jane Austen, Orgulho e preconceito. O que senti em minha primeira visita ao novo aeroporto catarinense foi orgulho e recato. Tomara que o primeiro sentimento sobreviva e prevaleça por muitos anos.
Filme 1
De Robert de Niro sobre o presidente Donald Trump: “Estamos em um momento em que esse cara está agindo como um gângster. Ele chegou e disse coisas, fez coisas, que nós dizemos a todo momento que são terríveis. Estamos em uma situação horrível e esse cara continua por aí, ninguém o parou.” O ator americano, que foi o jovem Vito Corleone em O Poderoso Chefão 2, sabe o que diz.
Filme 2
Recente dica de cinema, pelas redes sociais, do deputado federal Eduardo Bolsonaro, nosso candidato a embaixador nos Estados Unidos: “Assisti ao filme do Stallone no cinema. Um militar veterano de guerra que vinga a morte da sobrinha. Essa pegada família protagonizada por um militar realmente não deve agradar muita gente. Quem não curte pode ver teletubbies que é menos agressivo…”.
Como não suporto armas, porradaria, violência, milícias e afins, fico com os alegres Teletubbies.