Walter Casagrande
Walter Casagrande (Foto: Daniel Marenco, Especial, BD)

Walter Casagrande sempre foi um cara rebelde com causa. Desde os tempos de jogador até hoje, comentarista da TV Globo, nunca teve medo de se posicionar. Agora mesmo tem sido um crítico ardoroso da volta do futebol em tempos de pandemia, o que considera uma total maluquice. Casagrande sempre teve atitude roqueira.

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O ex-atacante do Corinthians está lançando a terceira parte da autobiografia, em parceria com o jornalista Gilvan Ribeiro. Primeiro foi “Casagrande e seus demônios”; depois veio “Sócrates & Casagrande – uma história de amor”; e agora sai “Travessia”. Craque no campo, um dos líderes da democracia do Corinthians, a amizade com o Doutor Sócrates, a dependência química que quase o levou à morte, o sucesso como comentarista – tudo está permeado nas páginas dos três livros.

Segunda-feira, dia 13, comemora-se o Dia Mundial do Rock. O que seria de Casão sem a música?  Nesta entrevista ele fala da paixão por Rolling Stones, Led Zeppelin, Greta Van Fleet, The Who, Mutantes, Raul Seixas, Rita Lee, Patti Smith. E lembra como o ex-Beatle George Harrison o ajudou a vencer um dos momentos mais difíceis da vida.

Quando você ouviu rock pela primeira vez?

O primeiro rock que ouvi ainda era bem pequeno: “Roll over Beethoven”, de Chuck Berry.

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E por que você se apaixonou pelo rock?

Me apaixonei pela agressividade, pela batida, pelas letras revolucionárias. E tinha tudo a ver com o meu temperamento, comportamento e estilo de vida.

Quando essas duas paixões, futebol e rock, se misturaram?

Foi muito rápida essa mistura, porque eu jogava futebol e depois saía com meus amigos para festinhas de rock, bailes de garagens, casas que só tocavam rock mesmo.

Democracia combina com rock?

Democracia é rock puro, porque a democracia está aberta para todos os estilos de som.

Ditadura combina com rock?

Ditadura não combina com porra nenhuma.

O que você mais ouvia no tempo de jogador?

Quando eu estava no ônibus, indo para o estádio jogar, ouvia heavy metal, Motorhead, Led Zeppelin, The Who… Depois dos jogos gostava de ouvir Beatles, James Taylor, Carole King, Joni Mitchell, para relaxar um pouco.

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E hoje, o que mais ouve?

Continuo ouvindo as minhas bandas preferidas, são muitas… Mas gosto muito de uma nova que se parece com o Led Zeppelin: a Greta Van Fleet.

Beatles ou Stones? Legião Urbana ou Sepultura?

Difícil escolha, mas os Stones me representam pela agressividade do som e das letras. Sempre fui rebelde estilo Stones. Legião e Sepultura são estilos diferentes e curto muito as duas.

Se você fosse o vocalista de uma banda, quem chamaria para tocar nela?

Bom, não gostaria de ser o vocalista. Gostaria de ser o guitarrista porque adoro guitarra, tenho uma Gibson Les Paul preta que amo. Então, a banda seria assim: Mick Jagger no vocal; Geezer Butler no baixo; eu, Peter Townshend e Keith Richards na guitarra; e na bateria John Bonham. Mas amo tantos outros que faria 100 bandas diferentes.

Que show e que música mais marcaram sua vida?

Muitos shows me marcaram e muitas músicas também. Então, vou ficar com o último que vi porque sou apaixonado por ela: Patti Smith e a música “Gloria”.

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Como a música e o rock te ajudaram na recuperação contra a dependência química?

Durante meu tratamento, na primeira internação, Serginho Groisman me visitou e levou o “Concerto para Bangladesh”, organizado pelo George Harrison em 1971. Aquele CD foi muito importante para mim, porque tinha músicas muito espirituais, ligadas à paz, ao amor. Eu estava precisando de paz no coração. Estava muito assustado naquele momento. Aquele CD foi muito valioso para mim. As músicas me deixaram leve, em condições de pensar tranquilamente.

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Na playlist do Casão o que não pode faltar?

Muito difícil, mas vamos lá: “While my guitar gently weeps”, The Beatles; “Gimme shelter”, Rolling Stones; “Black dog”, Led Zeppelin; “War pigs”, Black Sabbath; “Summertime blues”, The Who; “White room”, Cream; “Balada do louco”, Mutantes; “Que loucura”, Rita Lee & Tutti Frutti; e “Sapato 36”, de Raul Seixas.