Nas escolas de Jornalismo aprendemos que a simplicidade é um dos maiores segredos para se contar uma boa história. Passar as informações com máxima clareza. Tratar a língua portuguesa com respeito. Concisão e precisão acima de tudo. “Simplifique, simplifique”, afirma o mestre William Zinsser em “Como Escrever Bem”.

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A mesma lição poderia ser levada, hoje, às transmissões de futebol, nas quais os narradores não narram, os comentaristas não comentam, os repórteres não reportam. Todos querem falar juntos ao mesmo tempo agora. Para piorar, trazem junto o novo dicionário do futebolês tupiniquim. “O importante é o principal, o resto é secundário. Futebol é muito simples: quem tem a bola ataca; quem não tem defende”, ensinou o filósofo Neném Prancha.

Dia desses ouvi que um time precisa “lateralizar” as jogadas – ou seja, jogar pelas beiradas do campo ou pelas laterais. No dia seguinte, depois da eliminação da seleção feminina, um colunista escreveu que esta é “a Copa da fisicalidade” – para ser direto, esta seria a Copa da força física. Mais um exemplo: o “essa bola”, dito e repetido exaustivamente, beira o insuportável. Sempre deixa a sensação de que existiria outra bola em campo.

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Querem mais? “Verticalizar”, “minutagem”, “complexização”, “construir volume”, “fluir em progressão”, “garimpar espaço”, “marcação alta”, “jogador agudo”, “bochecha da rede”, “nariz da bola”, “volância”, “centroavância”, “último terço”, “jogo intuitivo”, “jogo posicional”, “amplitude”, “fase de construção”, “box to box”, “time reativo”, “quebrar linhas”.

A ordem é ser pernóstico, empolado, afetado, pomposo, pimpão. É para fazer qualquer maluco perder o juízo. É para jogar qualquer “estado anímico” por terra. Narradores, comentaristas e repórteres deveriam, um dia, se pôr no lugar dos torcedores-espectadores. Apenas um dia ouvindo e sentindo na pele as aberrações que levam ao ar.

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Como obsessão, eles deveriam perseguir a objetividade e a clareza da linguagem. Mas é como diz o amigo Ricardo Mello: “É tudo culpa do Caetano e do Djavan”.

Nós, os botafoguenses, somos o que somos

Dia desses alguém me perguntou secamente:

– Por que vocês botafoguenses são tão pessimistas?

Respondi friamente com irônica sugestão:
– Por favor, pesquise a nossa história.

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Otimismo e euforia são palavras inexistentes no dicionário de um bom alvinegro. Estamos sempre achando que alguma coisa de ruim vai acontecer. Demos à Seleção Brasileira campeões mundiais do peso de Nílton Santos, Didi, Zagallo, Garrincha, Amarildo, Jairzinho, Roberto Miranda, Paulo César Caju.

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Não adianta, o ceticismo e a desconfiança andam sempre de mãos dadas com a gente. Difícil de explicar, difícil de entender. Somos o que somos.

Incompetência e Oba-Obismo

Tanto a feminina quanto a masculina, a Seleção Brasileira teve técnicos que ficaram muito tempo e nada acrescentaram. Pia e Tite são dois desastres. Assim como desastroso é, também, o oba-obismo de quem deveria criticar com responsabilidade em vez de torcer.

Pra refletir

Joe Biden, presidente dos EUA:

“Vivemos tempos em que se tenta banir livros, enterrar a História. Embora a treva e o negacionismo possam esconder muita coisa, não conseguem apagar nada. Não devemos aprender apenas aquilo que queremos saber. Devemos aprender o que é preciso saber”

Oscar Wilde, escritor e poeta irlandês:

“O pessimista é uma pessoa que, podendo escolher entre dois males, prefere ambos”

William Shakespeare, escritor e dramaturgo inglês:

“Os miseráveis não têm outro remédio a não ser a esperança”

Voltaire, pensador francês:

Tolstói, escritor russo:

“Pretender-se que a vida dos homens seja sempre dirigida pela razão é destruir toda a possibilidade de vida”

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