O ano de 2019 foi rico em ensinamentos e diversão. Se o recém-começado 2020 seguir a mesma trilha, viveremos momentos de fortes emoções.

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Aprendemos, em 2019, que meninos do novo Brasil vestirão azul e as meninas, rosa. Descobrimos que os peixes são inteligentes e espertos: quando veem manchas de óleo nos mares, usam a cabeça e fogem. Soubemos que não há fome no país, pois temos clima tropical e muitas mangueiras em nossas cidades.

O ideólogo da família presidencial afirmou: “Não estudei o assunto da Terra Plana. Só assisti a uns vídeos de experimentos que mostram a planicidade das superfícies aquáticas, e não consegui encontrar, até agora, nada que os refute.”

O ministro da Economia ensinou: “Um menino, desde cedo, sabe que ele é um ser de responsabilidade quando tem de poupar. Os ricos capitalizam seus recursos. Os pobres consomem tudo.”

E um burocrata da área cultural vaticinou: “O rock ativa a droga que ativa o sexo que ativa a indústria do aborto. E a indústria do aborto alimenta uma coisa muito mais pesada, que é o satanismo.”

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Para ser feliz é preciso levar a vida menos a ferro e fogo. É importante achar graça e compreender um pouco mais os nossos erros, fraquezas, medos, arrogâncias, ambições, contradições. Somos, na maior parte do tempo, patéticos. Simples assim.

Lutando contra o câncer, o jornalista Gilberto Dimenstein dá aula de coragem e otimismo: “Vivemos nos meios digitais a era da indelicadeza, 500 mil pessoas criticando. Eu acabei entrando no mundo das gentilezas. Cada pessoa tem uma palavra, um chá, uma dica de oração, um olhar gentil. O outro mundo vai ficando ridículo.”

Relativizar, dar peso, medir o tamanho das coisas, tudo isso ajuda a revelar nossas verdadeiras dimensões. Tudo isso nos ajuda a enfrentar e rir das maluquices desse mundo completamente alucinante e sem noção.

Intolerância

No Rio, ataque ao prédio onde trabalham os comediantes do Porta dos Fundos. Numa pequena cidade do Estado de Nova York, ataque à casa de um rabino ortodoxo.

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Ambos, criminosos. Ambos casos de intolerância religiosa – uma praga espalhada por todas as partes do mundo.

Sorte grande

Pelo terceiro ano consecutivo, uma aposta de Santa Catarina está entre os ganhadoras da milionária Mega-Sena da Virada. Sorte muito grande, como se não bastasse viver num Estado com tantas belezas naturais.

Dica de leitura

Chega ao Brasil, finalmente, “Cartão vermelho”, de Ken Bensinger, lançado pela Globo Livros. O subtítulo diz tudo: “Por dentro do maior escândalo de corrupção no mundo do futebol”.  A bandidagem na Fifa teve a participação de alguns importantes brasileiros. É livro para virar filme.

REFLEXÕES SOBRE A FINITUDE

“Boneca russa”, série criada por Natasha Lyonne, Amy Poehler e Leslye Headland, é uma das coisas mais audaciosas e inventivas do mundo audiovisual. Se deseja, neste ano novo, refletir mais profundamente sobre a vida, corra e veja.

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