Ganhei um esperto presente do colega Ânderson Silva. Uma caixinha para praticar a escrita criativa. Como um baralho, você escolhe a carta e… bingo, surgem sugestões divertidas, curiosas, provocativas. Hoje vou de: “Que livro marcou sua adolescência? Escreva sobre as lembranças que você associa ao período da sua vida em que estava lendo esse livro.”

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Desafio dado, desafio aceito.

Sempre fui reservado, recolhido. Adorador de livros. Corria o agradável inverno de 1982. Nos campos da Espanha, a seleção brasileira desfilava talento magnético. No quarto do subúrbio carioca, dividia a Copa do Mundo com “O estrangeiro”, o mais importante livro do franco-argelino Albert Camus.

Flor da idade, 21 anos, estudante de Jornalismo, de férias em casa. Minhas irmãs Sandra Valéria e Catia Rejane (Dona Leila, minha mãe, caprichou nos nomes) não ligavam para o que estava acontecendo. O país parava por Falcão, Zico, Sócrates, Júnior & Cia.

Eu parava por eles e também por Meursault, personagem principal de “O estrangeiro”. Homem sem projeto, sem destino, sem sentido de existência. Figura bizarra, assim como bizarro era pensar que a seleção brasileira não ganharia a Copa da Espanha.

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Chegou a segunda-feira, 5 de julho de 1982. À tarde, jogo decisivo contra a Itália num tímido estádio de Barcelona. Respirava-se esperança e alegria nas ruas. Dona Leila preparou o almoço mais cedo. Era preciso estar concentrado para aquele duelo. Camus e Meursault ficaram de lado, abandonados, esquecidos ao relento.

E a tragédia absurda aconteceu. A Itália nos venceu, fomos eliminados. Dona Leila, Sandra Valéria e Catia Rejane berravam alucinadamente pelos cantos da casa: “Meu deus, o Brasil perdeu!!!”.

O silêncio caiu pesadamente. O dia se fez noite. O horror, o horror.

Estranhamente não chorei. Fiquei triste, não chorei. Não queria ouvir ninguém, ver ninguém. Deitei em minha apertada cama, acendi a luminária mequetrefe, peguei “O estrangeiro”. Voltei à primeira página. E tudo começava com Meursault contando sua história:

“Hoje, mamãe morreu…”

Trago verdade (1)

Do comediante britânico Ricky Gervais: “Quando você morre, você não sabe que está morto. Quem sofre são os outros. É a mesma coisa quando você é um idiota”.

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Trago verdade (2)

Do cantor e compositor americano Bruce Springsteen: “A fama, num dia bom, é como receber um aceno amigável de um estranho. Mas, num dia ruim, é como uma longa caminhada até sua casa sendo que, ao chegar lá, não há ninguém para recebê-lo”.

Emoção e diversão

“Pose” (Netflix) é uma das séries mais bacanas para se ver hoje. Em oito capítulos, mostra a vida da comunidade LGBTQ na imunda e insegura Nova York dos anos 80 do século passado.

Já em segunda temporada nos Estados Unidos, “Pose” é um drama familiar que diverte e emociona na medida certa.

série
(Foto: Divulgação)

SC-Manaus-SP

Felipe Schaedler deixou Maravilha, no Oeste do Estado, trocou o Direito pela Gastronomia e seguiu para Manaus. Lá o chef faz sucesso com o Banzeiro, restaurante que acaba de ganhar uma versão paulistana.

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Casa cheia. O sucesso vem com receitas tradicionais da Amazônia em versão contemporânea. Imperdível. Quem sabe um dia ele abre uma casa no estado natal?