Nos primeiros nove meses deste ano, cerca de 7 mil motoristas foram flagrados sob efeito do álcool nas estradas federais e estaduais de Santa Catarina. O número – assustador e absurdo – faz com que o Estado seja um dos piores do país nesse tipo de infração. O assunto foi tema de uma edição especial do Diário Catarinense em agosto e ganhou, nesta semana, reportagem especial no Jornal Nacional.

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A regra é sempre clara: se beber, não dirija.

No Estado do Rio de Janeiro, a Lei Seca está completando 10 anos. Lá o projeto ajudou a reduzir em 53% o número de acidentes provocados por motoristas que haviam ingerido bebida alcoólica.

“A operação tem aprovação da população, que não vê a Lei Seca somente como uma blitz, mas, também, como um projeto de prevenção e educação”, disse recentemente a delegada Verônica de Oliveira, coordenadora do projeto no Rio.

Bom lembrar que o nome, Lei Seca, inspira-se no período de 1920 a 1933, durante o qual a fabricação, o transporte e a venda de bebidas alcoólicas foram proibidos (mas não banidos) nos Estados Unidos.

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Cansei de chorar jovens mortos e famílias destruídas no Rio, em acidentes provocados pela combinação de bebida e irresponsabilidade. Se hoje tem uma coisa boa na violenta Cidade Maravilhosa é a Lei Seca.

Recentemente a Suécia lançou o Visão Zero. A proposição principal do plano: nenhuma vida perdida no trânsito é aceitável. A abordagem: pessoas erram e esses erros podem ser evitados com medidas como a redução dos limites de velocidade e alterações viárias.

Desde que adotou o Visão Zero, a Suécia registra uma das mais baixas taxas de mortalidade no trânsito mundial: apenas três em cada cem mil habitantes. A prefeitura de Nova York copiou o Visão Zero. E o número de mortos no trânsito na cidade, em 2018, caiu para o nível mais baixo em mais de um século.

Em Santa Catarina, o problema exige mais esforços de autoridades e entidades representativas da sociedade. É claro que o número de flagrantes de motoristas alcoolizados cresceu devido ao reforço das blitze nas estradas – e isso é louvável. É preciso ir além. Campanhas de educação, leis mais rigorosas, punições cada vez mais intransigentes, inteligência de trânsito eficaz, incessantes e implacáveis fiscalizações.

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Os acidentes de trânsito matam mais do que guerras. No mundo todo, 1,25 milhão de pessoas morrem a cada ano, cerca de 50 milhões ficam gravemente feridas. Absurdo e assustador. E é vergonhoso para Santa Catarina, um dos Estados mais encantadores do Brasil, engrossar essa estatística tão macabra.

Vá e veja

Deseja escapar, por míseras duas horas, da idiotice crescente no Brasil e no mundo? Corra ao cinema, esconda-se no escurinho e veja “Yesterday”.

É impossível viver sem respeitar as diferenças e a pluralidade. É impossível viver sem os Beatles.

Viva a democracia!

Carlos Bolsonaro afirma que as vias democráticas não trarão a transformação que o país precisa. Para resolver os nossos problemas, ele deve preferir a tirania, a porradaria, o autoritarismo, a repressão, a censura, as ditaduras.

Ah, recordar é viver: o pai dele foi eleito presidente da República democraticamente, nas urnas, através do voto popular.

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