Sou quase um analfabeto em redes sociais, graças aos deuses do universo. Preguiçosamente e cada vez com mais vontade de fugir, me mantenho em uma delas. Ela me ajuda a lembrar os aniversários dos amigos. Me permite postar algumas coisas e ler algumas bobagens. Pois bem, nela descobri uma das maiores invencionices da Humanidade.

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Trata-se do Modo Soneca. Dispositivo pelo qual você pode pôr no limbo, durante um mês, por exemplo, algumas pessoas que se fingem de tontas (ou para quem a ignorância é uma bênção) e procuram negar o óbvio.

O cientista Carl Sagan, morto em 1996, escreveu: “Não é possível convencer um fanático de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências. Baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar”. Sagan talvez já percebesse que, em algum tempo futuro, viveríamos a era da pós-verdade.

César Seabra: “Muito obrigado, Pelé. Muito obrigado, meu eterno Rei”

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Em seu “Origens do Totalitarismo”, a filósofa Hannah Arendt analisa o nefasto papel da propaganda política na ascensão da Alemanha nazista e da Rússia soviética: “Num mundo incompreensível e em constante mudança, as massas chegaram a um ponto em que acreditavam, ao mesmo tempo, em tudo e em nada, achavam que tudo era possível e que nada era verdade”.

“Origens do Totalitarismo” é um clássico e ajuda a explicar muita coisa do mundo de hoje. Um mundo em que “notícias falsas e mentiras são propagadas em escala industrial”, como aponta Michiko Kakutani, autora do também ótimo “A Morte da Verdade”.

César Seabra: “Escrever o que vai calando”

Como se consegue tentar negar as aberrações do infame domingo 8 de janeiro, em Brasília? Como se consegue tentar dizer que aquilo foi uma manifestação familiar, de gente do bem e democrática? Como se consegue tentar justificar atos de vandalismo e terror por trás de atitudes completamente injustificáveis? Como se consegue tentar defender investidas indefensáveis de golpe? Como se consegue tentar esconder a verdade em prol de uma possível neutralidade absurdamente deliberada? Como se consegue tentar defender criminosos que merecem estar na cadeia?

Aos que optaram por essas tentativas bizarras, cegas e falaciosas, destinei o Modo Soneca. No mundo das ideias e no mundo real, não há mais tempo a perder, não há mais desculpas, não nos é permitido ser cúmplice de atitudes, crimes e consequências desprezíveis.

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> “Extremistas.br”, série recém-lançada pelo Globoplay, também ajuda a entender muita coisa sobre o nosso ignóbil 8 de janeiro.

> A revista “The New Yorker” publicou, recentemente, o divertido artigo “Sua Personalidade Explicada Por Seus Irritantes Hábitos Domésticos”. Gostei muito desse aqui, em tradução livre:

“Deixar os Armários da Cozinha Abertos – Você é feito de partes iguais de coragem e medo. Você é corajoso o suficiente para iniciar qualquer tarefa antiga que surge em sua mente hiperativa, mas tem muito medo de terminar um projeto esquecido por deus. Você hesita com a ideia de que se uma porta se fecha, outra se abre, porque teme tomar a decisão errada e perder oportunidades, então melhor deixar as portas entreabertas. Sua vida é dominada por ‘e se’, e você provavelmente nunca aprenderá a tomar uma atitude definitiva – pelo menos até quebrar a cabeça na borda de uma porta de armário”.

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