Um ano sem fim.

Um ano em home office.

Um ano de incertezas.

Um ano de medos.

Um ano de desonra.

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Um ano de desgraça.

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Um ano de fracassos.

Um ano de obscurantismo.

Um ano de brutalidade.

Um ano de crueldade.

Um ano de mentiras.

Um ano de máscara.

> Leia outras colunas de César Seabra

Um ano fugindo de idiotas sem máscara.

Um ano escapando de trogloditas aglomerados.

Um ano acompanhando desgovernos, desmandos, confusões.

Um ano me enojando com promessas de remédios sem qualquer comprovação científica.

Um ano me enojando com negacionistas, notícias falsas, campanhas de desinformação.

Um ano de psicopatas.

Um ano de desatinados.

Um ano de lunáticos.

Um ano seguindo trapalhadas de prefeitos e governadores.

Um ano seguindo o despreparo e a falácia de secretários de saúde.

Um ano vendo a reputação do Brasil caminhar para o inferno.

Um ano chorando mortes.

Um ano chorando o sofrimento de pais, mães, filhos, avós, maridos, esposas, amigos, netas, netos, sobrinhas, sobrinhos.

Um ano batendo palmas para os heróis da saúde.

Um ano sem ver minha mãe, Leila.

Um ano sem ver meu pai, Augusto.

Um ano sem ver minha filha, Marina.

Um ano sem ver meus irmãos, Catia, Sandra e Guto.

Um ano amparado pelo amor e amizade de Cíntia.

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Um ano sem encontrar amigos.

Um ano sem encontrar companheiros de trabalho.

Um ano de muitas leituras e pensamentos.

Um ano de panelaços.

Um ano me irritando com o maior sabotador dos valores mais simples da vida.

Um ano torcendo pela vacina.

Um ano de fecha-abre-fecha-reabre-fecha.

Um ano sob o falso dilema saúde-economia.

> Homem morto em briga por uso de máscara trocou carreira militar pelo mercado

Um ano discutindo genocídio.

Um ano acompanhando a falta de respeito, delicadeza e liderança do excelentíssimo senhor presidente da República.

Um ano de cólera.

Um ano de loucura.

Um ano de neurose.

Um ano de perversão.

Um ano de covas rasas.

Um ano de mortes em corredores.

Um ano de falta de oxigênio.

Um ano sem despedidas.

> Casal que fez sexo em público no Caixa d’Aço depõe e pede desculpas

Um ano de calamidade sanitária.

Um ano de calamidade econômica.

Um ano de naturalização da morte.

Um ano de mais de 300 mil vidas ceifadas.

Um ano de pandemia sem controle.

Um ano sem ver luz no fim do túnel.

Um ano de negação.

Um ano de má-fé.

Um ano de desprezo.

Um ano de intolerância.

Um ano de ignorância.

Um ano de incivilidade.

Um ano de deboches com as instituições e a democracia.

Um ano de deboches com a pandemia e as vidas perdidas.

Um ano de deboches com as vítimas.

Um ano de solidão.

Um ano de desumanização.

Um ano de incompetência.

Um ano sem esperança.

Um ano sem ar.

Um ano sem respirar.

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