Direto ao ponto: há poucas coisas mais deprimentes do que passear pelo centro de São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis e outras capitais dessa potência chamada Brasil. A quantidade de pessoas vivendo nas calçadas, sob minúsculas barracas e ordinários cobertores, esquecidos e em condições subumanas, é de cortar e sangrar o coração. Levantamento recente revelou que a população de rua de São Paulo aumentou em 53% de 2015 para 2019. São crianças, jovens, idosos, famílias, doentes, viciados em álcool e drogas, migrantes, desempregados, pessoas que viveram algum tipo de conflito familiar.
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Mas é um complexo e vergonhoso problema humanitário que acontece, também, em importantes capitais do mundo. As belas ruas e praças de Paris e Roma estão cheias de imigrantes africanos e refugiados de guerras. Reportagem do “The New York Times” mostrou, no fim de 2019, que a cidade tem 115 mil estudantes vivendo sem casa fixa. Eles estudam nas estações de metrô e brincam em playgrounds. À noite, dormem em quartos pequenos e inseguros por alguns meses, até que se mudem novamente. “A escola é o único lugar estável que eles conhecem”, diz a reportagem.
“A causa passa pela crise socioeconômica e política, pela crise ética, do individualismo, da insensibilidade para a dor do outro. Esse individualismo que vê o diferente como incômodo. Então, a população de rua é vista sempre como suspeita, como ameaça, como um grupo não atraente, com o qual não vale a pena viver ou estar perto”. A vigorosa avaliação é do padre Júlio Lancelotti, que há mais de 30 anos faz trabalhos humanitários em São Paulo.
Em Florianópolis, dados da prefeitura mostram que o número de moradores de rua vem diminuindo ano a ano. Não dar esmola e indicar abrigos onde essa população quase invisível pode comer e dormir fazem parte de uma campanha educacional na capital catarinense.
Pode estar funcionando, é verdade. Mas direto ao ponto, de novo: ter uma pessoa que seja dormindo sob marquises, em condições desumanas, distante de cuidados básicos de saúde, educação e alimentação, é infame e obsceno.
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Papo de campeão
De Joaquin Phoenix, o apoteótico “Coringa”, vencedor do Oscar de melhor ator deste ano:
1. “Acredito que nos desconectamos demais do mundo natural e nos sentimos culpados por ter uma visão egocêntrica, a crença de que estamos no centro do universo”.
2. “Quando temos amor e compaixão como princípios, podemos criar sistemas de mudanças que sejam benéficas para todos os seres vivos e o meio ambiente”.
Frase:
“A baixeza mais vergonhosa é a adulação.”
Francis Bacon, escritor britânico.
Ensinamentos
Oito dicas de Seymour Hersh, um dos mais importantes e corajosos jornalistas dos Estados Unidos:
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1) “Não existe aposentadoria no jornalismo. Se você consegue se imaginar aposentado, escolheu a profissão errada”.
2) “O jornalista tem mais acesso à informação agora do que no passado. Vamos olhar para o futuro com otimismo”.
3) “Dê informação antes de pedir, é mais fácil saber das coisas assim”.
4) “Não seja sensacionalista. Se a história é boa, vai ser fácil fazer uma boa reportagem”.
5) “Governos mentem, o jornalista não mente. Nós erramos, mas não somos mentirosos. Esta é a diferença”.
6) “Se eu fosse o presidente dos Estados Unidos proibiria fontes anônimas. Mas eu sou um jornalista”.
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7) “Sem fontes anônimas não se trabalha. Mesmo sob pressão dos editores, nunca revele uma fonte”.
8) “Nunca escrevo o nome de fontes em meu computador”.