Estava com a ideia fixa: tentar escrever, com alguma alegria, sobre a simbologia do Dia das Mães. Lembrar algumas frases divertidas que escuto de Dona Leila desde menino, por exemplo. Recordar histórias divertidas das mães de queridos amigos. Mas a semana tornou os desejos simplesmente impraticáveis.
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Na pacata cidade de Saudades, em Santa Catarina, um agressor de 18 anos invade uma creche e assassina três crianças, todos com menos de 2 anos, e duas funcionárias, heroínas que tentaram proteger os pequenos. O Estado e o país estão em choque com o ataque. O horror, o horror.
No Rio, vítima da Covid-19, morre o ator Paulo Gustavo, que ficou famoso com a homenagem à sua mãe, Déa Lúcia Vieira Amaral, no teatro e no cinema. Ou ninguém viu e se divertiu com a trilogia “Minha Mãe É uma Peça”?
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Em todo o brasil, caminhamos para 450 mil mortes pela pandemia (ou pela “gripezinha”, como disse o excelentíssimo senhor presidente da República, aquele que despreza e debocha da inteligência, do bom senso, da ciência, da medicina, da vida). Quantas mães não puderam se despedir de seus filhos? Quantos filhos não puderam se despedir de sua mães?
Em todas as regiões mais pobres do país, crianças e adolescentes somem pelas mãos de bandidos, traficantes, policiais-bandidos, milicianos. E suas mães buscam notícias incansavelmente, para tentar respostas e enterrá-los com a dignidade possível.
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Quantas mães e filhos estão passando fome pelas ruas e sob viadutos de todas as cidades brasileiras, grandes ou pequenas, enquanto um abjeto ministro da Economia revela seu pavor às pessoas menos favorecidas?
A leveza e a suavidade se foram. A tristeza e a melancolia ficam, entranhadas, ferindo, cortando, machucando, sangrando. Dá para ser feliz?
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A vida precisa seguir. E para amenizar tanta dor, melhor pegar emprestado um poema do eternamente grande Mário Quintana:
“São três letras apenas,
As desse nome bendito:
Três letrinhas, nada mais…
E nelas cabe o infinito
E palavra tão pequena
Confessam mesmo os ateus
És do tamanho do céu
E apenas menor do que Deus!”
Para refletir
Do presidente internacional dos Médicos Sem Fronteiras, Christos Christou:
Temos agora o nacionalismo vacinal, em que países disputam para comprar vacinas, e a hesitação vacinal, caudada por desinformação sobre a eficácia e os efeitos colaterais das vacinas
Do escritor britânico Salman Rushdie:
A defesa da liberdade de expressão começa quando alguém diz algo que você realmente não gosta. Nesse ponto, você descobre se acredita na liberdade de expressão ou não
Do ator Paulo Gustavo:
Contra o preconceito, a intolerância, a mentira e a tristeza já existe vacina. É o afeto, é o amor. Então, diga o quanto você ama a quem você ama. Mas não fique só na declaração, ame na prática. Amar é ação. Amar é arte
Da escritora Adélia Prado:
Minha mãe achava estudo a coisa mais fina do mundo. Não é. A coisa mais fina do mundo é o sentimento
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