Comecei a trabalhar como jornalista em 1982. O Brasil vivia sob ditadura (João Figueiredo era o general-presidente) e sonhava com a democracia. No dia 15 de novembro daquele ano, ainda estudante e freelancer do extinto “Jornal do Brasil”, participei da cobertura de minha primeira eleição e votei pela primeira vez. No dia 15 de março de 1983 tomaram posse os primeiros governadores eleitos pelo voto direto desde o golpe militar de 1964. Aquelas eleições abriram o caminho para o (derrotado) movimento das Diretas Já. Inesquecível. Depois vem a História com H maiúsculo.

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Foram muitas coberturas de eleições desde 1982. Prefeitos, governadores, presidentes aqui e nos Estados Unidos (Collor, FHC, Lula, Dilma, Bolsonaro, Bush Filho, Obama). E tudo isso trabalhando para uma imprensa livre e independente. Porque simplesmente – e serei mesmo repetitivo – não há democracia nem liberdade sem imprensa livre e independente.

Albert Camus, escritor francês de origem argelina, deu um pitaco certeiro sobre o assunto: “Uma imprensa livre pode, é claro, ser boa ou ruim. Mas certamente sem liberdade a imprensa sempre será ruim.” Já o professor de Filosofia Marc-Antoine Dilhac afirmou categórico: “É preciso abandonar a ideia de que a imprensa é o quarto poder, porque ela é, na verdade, a serva livre da democracia.”

Mas estamos enredados em tempos difíceis. Tempos da pandemia da idiotia, de negacionistas e reducionistas. Tempos do esgoto e do ódio que correm pelas valas das redes sociais. Regimes totalitários – de esquerda, direita, centro ou o diabo que for – não admiram uma imprensa crítica. Gente que deseja impor suas opiniões e vontades teme o poder do contraditório. Gente que defende as notícias falsas, a desinformação, o desprezo às instituições, o autoritarismo, a censura, o cerceamento, o controle, a repressão, o brutalismo, a violência, os ataques verbais e físicos a jornalistas – tudo o que não leva a um pingo de crescimento e enriquecimento de uma sociedade.

Uma imprensa livre dá às pessoas o direito ao acesso à informação que precisam para tomar decisões sobre suas vidas (como hoje, quando vivemos uma luta incansável contra a Covid-19).  Uma imprensa livre fiscaliza e ajuda a manter líderes responsáveis. Uma imprensa livre “aumenta a consciência e oferece uma saída para diferentes vozes, especialmente àquelas que de outra forma não são ouvidas”, disse uma vez o ex-secretário-geral da ONU Ban Ki-moon. Uma imprensa livre é essencial para a paz, para a justiça e para o respeito aos direitos humanos em todos os cantos do planeta.

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conversa com Bial
(Foto: Divulgação)

Nesta segunda-feira, 1 de junho, comemora-se em todo o mundo o Dia da Imprensa. Portanto, viva a imprensa livre, independente e vigorosa. De William Bonner, editor-chefe e apresentador do “Jornal Nacional”, no programa “Conversa com Bial”:

“O que era diversão boba, infantil, nas redes sociais foi se transformando em campo de batalha. O ódio escorre nas palavras mal escritas, cuspidas… E agora a gente assiste a mesma incivilidade nas ruas”.

Do cineasta americano Spike Lee:

“Deixe-me ser meio bíblico: isto vai ser a.c./d.c. – antes do corona e depois do corona. O mundo inteiro precisa apertar o botão de reiniciar. Esta pandemia expôs as desigualdades distribuídas por todo o planeta."

De Steven Pinker,em “O Novo Iluminismo”:

“À medida que engenhosidade e solidariedade foram aplicadas à condição humana, a vida se tornou mais longa, mais saudável, mais rica, mais segura, mais feliz, mais livre, mais inteligente, mais profunda e mais interessante. Os problemas continuam, mas problemas são inevitáveis.”

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Do escritor italiano Roberto Calasso:

“Seja o que for, o divino é certamente o que impõe com a máxima intensidade a sensação de estar vivo.”