Diferentemente de um certo ministro, não fui escondido tomar a primeira dose da vacina contra a Covid-19. Fui de cara limpa (com máscara) e alma lavada, sem medo de ser feliz. Fui orgulhoso, foi bonito. Tudo muito bem organizado. Meus colegas idosos, pacientes e ordeiros, o otimismo estampado no que se podia distinguir de seus semblantes. Uns elogiavam e agradeciam aos profissionais da saúde. Chorei.
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Depois de ver tanto sofrimento, 400 mil mortes, negacionismos, sabotadores, mentiras, ataques covardes, notícias falsas, tentativas de desacreditar e desqualificar a ciência, leviandades, insesatez, desmandos e negligências, a vacina traz a crença num futuro melhor. Ainda enfrentamos enorme lentidão em todo o país. Mas os olhos luminosos dos vacinados revelam tudo: a esperança resiste.
> César Seabra: “O tempo é o modo de usar”
(O Plano Nacional de Imunizações é uma importante conquista de nossa sociedade, referência em todo o mundo. Mas o governo da destruição faz de tudo para arruiná-lo. É inacreditável que ainda se defenda remédios sem qualquer eficácia comprovada no combate ao coronavírus e suas variantes. É inaceitável que a estupidez assassina incentive cidadãos a fugirem da vacinação, para que não sofram possíveis e naturais efeitos colaterais ou não se transformem em jacarés. A pergunta que vale se fazer, antes de dormir, é: o que seria da Humanidade sem as vacinas contra as mais variadas doenças? Simplesmente não estaríamos aqui para responder.)
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A recompensa ao fim da espera é gigantesca. A sensação é a de uma indelével retomada da liberdade, a reparação do legítimo direito de ir e vir – sempre mantendo todos os cuidados sugeridos pelos cientistas e médicos. A grandeza está também nos olhos de quem aplica os imunizantes. Vê-se nos profissionais da saúde um sentimento de contentamento e arrebatamento. É bonito. (Já para os negacionistas e os que desprezam o valor da vida como direito humano fundamental, sobrará o lixo da História.)
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Como uma criança – ou um jacaré em pleno êxtase –, adoraria ter abraçado o Zé Gotinha. Mas o mascote não deu as caras, e me poupou de um certo vexame. Terei uma segunda chance, dia 16 de julho. Até lá, e até o fim de meus dias, continuarei gritando:
Viva a Vida! Viva a ciência! Viva o SUS! Viva a Fiocruz! Viva o Butantan! Vacina já – para todos os brasileiros!
Para refletir
Do cineasta dinamarquês Thomas Vinterberg:
De todo modo, vivemos imersos na cultura da representação. Tudo se fundamenta no que você aparenta, nos prêmios que ganha, nas curtidas que obtém nas redes sociais, nos ingressos que vende … Impostura. Nem mesmo vocês, jornalistas, podem escapar do império dos cliques.
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Da cineasta chinesa radicada nos EUA Chloé Zhao:
Vim de uma cultura onde os mais velhos são um tesouro porque eles guardam a sabedoria de terem vivido e aprendido. Eles são tratados como a parte mais importante da sociedade. É uma vergonha que a sociedade capitalista ocidental tenha esquecido de tudo isso.
Do ministro da Casa Civil, general Luiz Eduardo Ramos:
Não tenho vergonha, não. Eu tomei e vou ser sincero, porque, porra, eu, como qualquer ser humano, eu quero viver. E se a ciência e a medicina estão dizendo que é a vacina, né, Guedes, quem sou eu para me contrapor?
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