O presidente da República revelou que ele e os irmãos decidiriam, numa votação, se a mãe deveria ser vacinada ou não contra a Covid-19. O presidente da República disse que votou pelo sim, mesmo afirmando – mais uma vez de forma mentirosa e negacionista – que a vacinação não tem eficiência comprovada cientificamente. Não sei qual foi o resultado, não tenho interesse algum pela vida alheia, mas espero que tenha sido pela imunização e pelo bem de dona Olinda, de 93 anos.

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Apenas para lembrar: as duas vacinas aplicadas no país – a CoronaVac, produzida pelo Butantan em parceria com o Sinovac, e a da Universidade de Oxford em parceria com o AstraZeneca – foram aprovadas emergencialmente pela Anvisa, um mês atrás. Ambas divulgaram a taxa de eficácia global acima de 50% – índice estipulado pela Organização Mundial de Saúde para aprovação das vacinas.

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Meus pais receberão a primeira dose esta semana, no Rio de Janeiro. Seu Augusto, 82 anos, dia 17 de fevereiro; Dona Leila, 80 anos, dois dias depois. Meus três irmãos e eu não tivemos dúvida, não foram necessários votação, palitinho ou qualquer coisa parecida. É mais do que nossa obrigação levá-los para este momento histórico – assim como eles fizeram conosco no passado, nas campanhas contra catapora, caxumba, sarampo, pólio etc. Por ilimitada gratidão, é total responsabilidade nossa cuidar deles agora – com direito à fotografia, publicação nas redes antissociais e soquinho no Zé Gotinha, se o famoso mascote aparecer.

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Nos anos em que morei fora sempre me surpreendi com duas curiosidades de colegas estrangeiros. A primeira era sobre o sucesso da urna eletrônica em nossas eleições. A segunda, como o pobre Brasil fazia campanhas de vacinação tão eficientes e que chegavam ao país inteiro. Dois orgulhos tupiniquins que, hoje, são constantemente ameaçados, hostilizados, desqualificados pelo próprio presidente da República.

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Com o maior sabotador da campanha aquartelado no Palácio do Planalto e o ministro da Saúde despreparado e inábil, a vacinação segue em ritmo vergonhosamente lento. As vacinas ainda são poucas, as autoridades mostram a habitual desorganização, seres humanos seguem revelando o lado mais sombrio e desrespeitoso.

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Mas a vez de todos vai chegar. A sua, a minha, a de seus pais, a de meus pais, a hora de dona Olinda. Viva a ciência! Viva a vacina! Viva a vida!

Da filósofa italiana Ilaria Gaspari, autora de “Lições de Felicidade”:

A felicidade nos parece fugidia e por isso nos assusta. Temos uma ideia de felicidade momentânea, mas na verdade não temos uma boa relação com o momento presente

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Do escritor português João Tordo em “As Três Vidas”:

Acho que os sonhos são o espelho dos nossos horrores, dos nossos piores medos, da vida que poderíamos ter tido se, numa altura ou noutra, não fôssemos incomensuravelmente covardes

Do poeta americano Danez Smith, em “Não Digam que Estamos Mortos”:

Caro número de distintivo/o que eu fiz de errado?/nascer?/ser preto?/te conhecer?

Do eternamente genial Carlos Drummond de Andrade:

O progresso dá-nos tanta coisa que não nos sobra nada nem para pedir, nem para desejar, nem para jogar fora

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