Momento raro de sensatez aconteceu na CPI da Covid. Numa crítica à Capitã Cloroquina, que insiste na defesa de remédios com ineficácia comprovada pela ciência, o senador Alessandro Vieira, de Sergipe, afirmou: “Quando a gente fala claramente, a gente deixa mais evidente a loucura que estamos vivendo”. Certeiro, firme sem perder a elegância.
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A Capitã Cloroquina foi à CPI para enrolar, engabelar, enganar. Assim como já haviam feito seus comparsas-discípulos de Rolando Lero: o general fujão, o assessor de imprensa dissimulado, o chanceler aparvalhado e o ministro despreparado.
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Depuseram para negar e ocultar os negacionistas que são. Defenderam maluquices em que apenas eles e os lunáticos que os seguem acreditam. Falaram para confundir e se confundiram. Mostraram incongruências e desmandos. Se envolveram numa rede de contradições. Produziram cenas de autofagia e autodesconstrução. Provaram que a estratégia de combate à Covid-19, do governo federal, sempre foi uma bagunça.
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Já somos mais de 450 mil mortos – mães, pais, avós, avôs, filhas, filhos, amigos, namoradas, amores que se foram. Vacinas continuam chegando de forma lenta, já são mais de quatro meses se arrastando para imunizar a população brasileira. Com a proximidade do inverno e o descontrole em todas as regiões, teme-se o terceiro pico da Covid-19, quando sequer saímos da primeira e da segunda ondas. Viramos um cemitério macabro.
Como se não bastasse, ainda há o desrespeito e o escárnio. Prova maior foi o mórbido passeio de motos comandado pelo excelentíssimo senhor presidente da República – claro, acompanhado pelo militar apalermado. Empatia, humanismo, compaixão, generosidade e solidariedade são produtos em falta nas prateleiras do Palácio do Planalto.
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Quatrocentos e cinquenta mil mortos. Chegaremos muito rapidamente ao tenebroso número de 500 mil vidas perdidas. Segue o espetáculo de mentiras, irresponsabilidade, incompetência, covardia e negligência. Por tudo isso, é justo que o brasil tenha se tornado uma piada mundial. Tudo isso evidencia a loucura em que estamos enredados.
Pra refletir
Do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, morto semana passada:
Não podemos ter saudades de nada. A experiência não deixa saudades. Dá um ímpeto desgraçado para o futuro
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Do músico americano Moby:
Eu amo o passado. Amo o paradoxo fascinante de ser quem sou hoje e, ao mesmo tempo, ter sido incontáveis pessoas no passado
Do escritor Bernardo Carvalho:
O Brasil da pandemia tem um sentido quase vanguardista de representação do horror. É quase como se o país fosse uma espécie de alegoria do suicídio geral
Do escritor argentino Ernesto Sábato:
Creio que a verdade é perfeita para a matemática, a química, a filosofia, mas não para a vida. Na vida contam mais a ilusão, a imaginação, o desejo, a esperança.
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