Estamos chegando ao fim do ano. Quando menos se espera é Natal. Nesta época começam a pipocar os filmes que disputarão o Oscar (obviamente, se ainda houver mundo e vida em 2025.) Neste começo de corrida para o maior prêmio do cinema mundial surge “Will & Harper”, sensível documentário dirigido por Josh Greenbaum.
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Sem entrar em muitos detalhes: o comediante superstar Will Ferrell recebe, durante a pandemia da Covid, um surpreendente e-mail de um amigo. Na mensagem, o amigo e colaborador frequente revela que havia passado pela transição de gênero. Era agora uma mulher.
Quem assina não é Andrew, mas sim a nova amiga Harper Steele. Os dois, Harper e Ferrel, conversam e decidem sair numa roadtrip de Nova York a Califórnia, da Costa Leste à Costa Oeste dos Estados Unidos.
Ferrel é famoso. Harper começa a encarar a nova realidade. Na viagem discutem a transformação.
Entre piadas bobas e revelações, Ferrel tem a oportunidade para fazer todas as perguntas difíceis sobre a experiência de Harper, que passa por duros testes — como numa churrascaria no Estado do Texas. Harper chora. Ferrel chora. É impossível não chorar.
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É fato que todas as amizades mudam com o tempo. Essas mudanças nem sempre acontecem de maneira tranquila — todos já passamos por elas em nossos relacionamentos. Amizades se esgarçam. Amizades sobrevivem. Amizades se fortalecem.
Em entrevista ao jornal americano “The New York Times”, Harper afirmou: “Acho que em muitas das minhas amizades havia um elemento de medo. A maior mudança para mim é que não tenho medo dos meus amigos. Isso foi uma grande mudança para mim”.
No carro, cruzando quilômetros de estradas e lindíssimas paisagens, muito provavelmente os dois amigos se divertiriam com essa frase do escritor irlandês Oscar Wilde, retirada do livro “O Retrato de Dorian Gray”: “A melhor maneira de começar uma amizade é com uma boa gargalhada. De terminar com ela, também”.
O documentário “Will & Harper”, que pode ser visto no streaming, é uma preciosidade sobre entendimento, humanidade, aceitação, confiança, respeito à diversidade. É instigante, divertido, lírico.
Acima de qualquer coisa, é uma potente exaltação à amizade.
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