Ver “extremistas.com” assusta. Não é para fracos, nem para amadores. Na série de oito capítulos da Globoplay, temos um show de horrores. O fanatismo elevado ao máximo. “Do fanatismo à barbárie não há mais do que um passo”, dizia o filósofo francês Diderot. O conterrâneo Voltaire arremata: “Quando o fanatismo gangrena o cérebro, a enfermidade é incurável”.

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O fanatismo ganhou as ruas, com suas teorias conspiratórias e a difusão de mentiras e desinformação. Pessoas simplórias falam coisas desconexas, acreditam em notícias falsas disseminadas por companheiros nas redes sociais, como a prisão de ministros do STF ou a anulação das eleições pelo TSE. Não querem saber de checar a origem de nada. Apenas acreditam. Vociferam. Vibram. Choram. Ajoelham. Rezam. Cantam o hino. Gritam de novo. Choram mais. Tudo como se estivessem num mundo à parte.

Fazem discursos golpistas. Pregam o armamentismo, o negacionismo, a violência. Mantêm os ânimos agressivos, atitudes raivosas. Sem limites. Sem vergonha. São apoiados por influenciadores digitais, políticos, militares, subcelebridades.

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A série “extremistas.com” me reporta a um livro de Amós Oz. Chama-se “Como Curar um Fanático”. Numa entrevista, o escritor israelense morto em 2018 disse: “A diferença entre idealismo e fanatismo é a distância entre a dedicação e a obsessão. Para o fanático, não para o idealista, o fim justifica todos os meios”. Amós era um idealista, sempre acreditou na relação possível e harmoniosa entre palestinos e Israel, seu país. Sempre condenou a violência dos dois lados, tendo seus livros como principal arma.

Neste pequeno grande livro, Amós apresenta aspectos para se identificar um fanático. A intolerância, o sentimentalismo, o culto a personalidades carismáticas, o messianismo, a falta de humor. “Fanatismo é fácil de pegar, é mais contagioso do que qualquer vírus”, alertava.

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E apresenta, também, antídotos contra o fanatismo. A criatividade, a imaginação, a literatura, o senso de humor. Amós escreve: “Humor é relativismo, humor é a capacidade de perceber que, não importa quão justo você é, e como as pessoas têm sido terrivelmente erradas em relação a você, há um aspecto da vida que é sempre um pouco engraçado. Quanto mais correto você é, mais engraçado você fica”.

No Brasil, o infame 8 de Janeiro explica muita coisa. E haja humor para suportar tanta histeria, maluquice e ignorância.

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Dando nome aos bois

Sejamos bastante didáticos. Depois de constatados os horrores nazistas na Segunda Guerra Mundial, genocídio passou a ser considerado crime contra a Humanidade. A ONU foi criada e uma série de ações tomadas para tentar impedir novas tragédias como o Holocausto. (A História tem sido cruel, genocídios continuam a acontecer.)

Em 9 de dezembro de 1948, na Assembleia Geral das Nações Unidas, foi aprovada a “Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio”. Nesta declaração ficou decidido que o genocídio refere-se a “atos cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso”.

Imagem de uma criança Yanomami (Foto: Lalo de Almeida, Folhapress)
Jovem Yanomami recebe atendimento médico (Foto: Nelson Almeida, AFP)
Profissionais do Ministério da Saúde atendem os Yanomami (Foto: Igor Evangelista, Ministério da Saúde, Divulgação)
Crianças Yanomami aguardam atendimento (Foto: Weibe Tapeba, Sesai, Divulgação)

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Esses atos são: assassinato de membros do grupo; atentado grave à integridade física e mental de membros do grupo; submissão deliberada do grupo a condições de existência que acarretarão a sua destruição física, total ou parcial; medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo; e a transferência forçada de crianças do grupo para outro grupo.

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